Chegou a altura de os investidores participarem no mercado a um nível micro


“É a nossa convicção na Schroders que a década de baixo crescimento que verificámos se irá manter na próxima década. Continuaremos a operar num contexto de crescimento brando e baixas taxas de juro, com vários fatores estruturais a suportar esta expectativa. Falo da demografia, a distribuição do património e rendimentos e da produtividade, por exemplo. Dito isto, achamos que é necessário que os investidores participem no mercado a um nível mais microeconómico, e não tanto ao nível macro, como tem acontecido”. Quem o diz é Georg Wunderlin, o responsável global por Mercados Privados na Schroders, uma entidade gestora que possui as valências e a experiência para criar valor em todos os segmentos de private assets.

Para o profissional, a exposição a beta ou aos temas macroeconómicos já não satisfaz as necessidades dos investidores. Fala especialmente dos institucionais como as seguradoras e os fundos de pensões que não encontram nos mercados públicos meios de geração de rendimento e retorno que encaixem nos seus objetivos de gestão. A solução? “Ganhar exposição a empresas ou ativos diretamente, de maneira a que os skills operacionais das entidades gestoras possam ver-se refletidos nos resultados do investimento. Seja comprando um edifício e tornando-o mais eficiente e rentável, estimulando o crescimento de um negócio ou reestruturando uma empresa, são várias as formas que os gestores de ativos privados têm para impulsionar o valor e proporcionar retornos aos investidores. Achamos que é neste segmento que os investidores deverão focar a atenção neste momento”, comenta.

Controlo do ativo

Para o especialista, os ativos privados proporcionam uma forma de criar verdadeiro valor por uma razão muito simples: o controlo do ativo. “Em private equity detemos a maioria do capital do negócio. Em imobiliário somos donos do edifício… Podemos fazer com estes ativos o que verdadeiramente achamos que cria maior valor. Transformar um edifício devoluto num hotel, ou edifício de escritórios, residencial… E adicionalmente, o horizonte de investimento está mais alinhado com o período que é necessário para se criar valor. Criar valor não acontece da noite para o dia, nem em três meses e muitas vezes nem num ano. Criar valor leva três, cinco ou 10 anos a acontecer, e se o investidor puder encaixar a iliquidez, ver-se-á com um horizonte de investimento adequado ao ativo em que investe”. Para Georg Wunderlin, nos ativos privados, os investidores têm a oportunidade de capturar um prémio que historicamente tem estado entre os 500 e os 800 pontos base face aos mercados públicos. “Com o potencial de retorno tão baixo, a única forma que alguns investidores têm para satisfazer os seus requisitos é nos mercados privados”, acrescenta.

Diversidade do mercado 

Os mercado privados não são uma única classe de ativos homogénea. Existe uma infinidade de sub classes. Imobiliário, infraestruturas, dívida privada, private equity, pequena ou média capitalização de mercado, buyout, venture capital, sectorial… O universo é massivo. E existem muitas oportunidades em muitas destas sub-classes”, comenta. O profissional da casa de investimentos britânica realça, no entanto, que há que olhar profundamente nestes segmentos para identificar o que continua a ser interessante. “Tipicamente, seguimos os fluxos de capital para cada uma das subclasses, em comparação com o crescimento da base de ativos investível. Não é um problema se a pólvora seca num determinado segmento duplica em 10 anos, mas se isso acontece num ano, a base de ativos não tem forma de acompanhar”, explica. Por outro lado, há que ter em conta a classe de ativos em termos estratégicos. “Perceber quais são as fontes de criação de valor. Vê-se uma verdadeira melhoria da rentabilidade do ativo? Um crescimento da sua qualidade? Ou o valor resulta de um crescimento dos múltiplos por arrasto do comportamento dos mercado públicos? São os dois primeiros casos que queremos verificar”, diz.

Como resultado desta análise, Georg Wunderlin vê muita atenção focada no private equity large cap, em detrimento de capitalizações inferiores. “No caso do private equity, especificamente, achamos os segmentos de pequena e média capitalização, buy-out e venture capital de inovação em fases muito iniciais dos projetos. Segmentos que incluem empresas como a Uber ou a WeWork estão a ser avaliados a preços pouco razoáveis. No imobiliário posicionamo-nos do mesmo modo. Fazemos as nossas apostas onde vemos criação de valor na sua forma mais pura”, conclui.

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