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Chart of the Week – Japão 21 anos depois


(O Chart of the Week desta semana é da autoria de João Carlos Caiano, CFA, da Task Wealth Management) 

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Em Dezembro de 2017 o Nikkei atingiu o nível mais alto dos últimos 21 anos (Junho 1996) e logo nos primeiros dias de Janeiro de Janeiro atingiu máximos dos últimos 26 anos (1991). Ainda assim, o valor do Nikkei de 11 de Janeiro está cerca de 41% abaixo do máximo de 29 de Dezembro de 1989, quando o referido índice atingiu os 38,915.

Quando comecei a trabalhar na industria de gestão de ativos, em Julho de 1995, o índice japonês levava já uma queda de 60% dos máximos de 1989 e na altura, lembro-me perfeitamente do permanente underweight que tínhamos a Japão (equity). Este underweight era comum no mercado e quase todas as sociedades gestoras de patrimónios mantinham o mesmo. A permanente deflação no país, a má situação económica e os maus resultados das empresas, provocaram uma fuga de capitais estrangeiros da bolsa japonesa. Esta alocação geográfica foi pura e simplesmente eliminada dos asset alocations durante muitos anos. Recordo ainda quando em Janeiro de 2008 fui visitar a Londres um conhecido gestor de ações japonesas, que me recebeu com a um semblante pesado e me perguntou se eu imaginava o que era gerir um fundo num mercado que estava hà quase 20 anos em bear market. 

Foi preciso esperar mais de 20 anos, desde que comecei a trabalhar nesta industria, para ver o índice acima do valor de então e mais impressionante ver que desde Janeiro de 2008 (aquando da minha visita ao tal gestor) o índice já subiu 84% vs 41% do MSCI World. Só muito recentemente comecei a ver nos asset alocations, dos research a que tenho acesso, um overweitgh Japão, o que mostra que o Bear Market de 20 anos teve um grande impacto nos analistas que demoraram a perceber que desde 2010/2011, a economia e as empresas começaram a recuperar. Estou incluído nesse ultimo lote de analistas porque só em 2016 voltei a introduzir Japão nos portfolios e apenas nos mais agressivos. Este sentimento positivo parece querer ser consistente mas quando a tendência de mercado dura muito tempo, como foi o caso do Bear Market no Japão, devemos sempre nos questionar se não estamos numa zona de conforto, já que o mais fácil é acompanhar a tendência.

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