Chart of the Week - “GAAP earnings” e “corporate profits”


(O 'Chart of the Week' desta semana é da autoria de Catarina Quaresma Ferreira, diretora da Sixty Degrees.)

A escolha desta semana recai sobre o gráfico seguinte, que retrata o diferencial entre a queda reportada pelos “GAAP earnings” e pelos “corporate profits” no primeiro trimestre. 

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Fonte: Real Investment Advice

Historicamente fortes recuos nos “corporate profits” são correspondidos por diminuições igualmente acentuadas nos “GAAP earnings”. Deste modo, a queda mais acentuada dos “corporate profits” no primeiro trimestre pode ser indicador de contrações mais fortes nos resultados do S&P500 nos próximos trimestres. 

Nesta fase, os contornos da recuperação económica ainda são incertos e como tal estaremos atentos à evolução dos resultados das empresas cotadas nos próximos trimestres. 

O mercado acionista parece descontar uma recuperação económica “V-shaped”, algo contrastante com as atuais estimativas de lucros por ação. Uma hipótese plausível será virmos a assistir a uma correção futura no S&P 500. Porém, pode acontecer que as atuais estimativas de consensus de lucros por ação (126 dólares) venham a revelar-se demasiado pessimistas. Nesse caso, após a divulgação de contas em julho, poderá ter lugar uma revisão em alta dessas estimativas para cerca de 135-140 dólares, tornando mais plausível um regresso a 160 dólares, em 2021. No entanto, historicamente, as revisões de consensus EPS nos últimos 7 meses do ano têm sido em baixa de cerca de 3%. De qualquer forma, a forte resposta das autoridades em termos de estímulos fiscais e monetários, bem como a ausência de guidance por parte das empresas, poderão deixar em aberto a possibilidade de assistirmos a uma revisão em alta de estimativas de resultados por ação, dando sustento à evolução recente do mercado acionista. 

Por contraponto, valerá a pena recordar o episódio de 2001, aquando dos ataques do 11 de setembro, o qual parece apresentar algumas semelhanças com a crise atual. Em ambos os casos, as ações partiram de um P/E relativamente alto, as duas recessões foram desencadeadas por fatores exógenos e os mercados registaram um “rally” significativo após a queda inicial, motivado pela resposta forte das autoridades em termos de estímulos monetários e fiscais e pela expectativa de uma recuperação em “V”. Porém, em 2002 o mercado sofreu nova correção e a recuperação só chegaria em 2003. 

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