Chart of the Week - Estímulos dos Bancos Centrais e recuperação económica em perspetiva


(O 'Chart of the Week' desta semana é da autoria de João Queiroz, Diretor da banca online do Banco Carregosa.)

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O balanço do BCE voltou a aumentar com a aplicação de um conjunto das medidas destinadas a estabilizar o sistema financeiro, através de massivas compras de ativos financeiros, o que pode permitir acalmar alguns medium_Captura_de_ecra__2017-11-2__a_s_14receios mais imediatos, reduzir a incerteza e mitigar o impacto da pandemia na economia global em geral. Procurará igualmente e em particular, ter uma rede de sustentação das economias europeias mais devastadas com este surto, como as relevantes economias da Zona-Euro com elevado endividamento público, de que são exemplo a Itália e a Espanha. Desta vez foi colocado algum esforço para tentar defender as dívidas mais vulneráveis às óbvias reduções de ratings.

Um dos impactos mais imediatos observa-se na divisa Euro que aparenta menos vulnerabilidade, mas ainda depreciada para mínimos de três anos face ao USD. Os títulos de dívida soberana e corporativa, bem como as ações, reagiram face aos mínimos observados em março passado e já descontam uma gradual e controlada circulação de pessoas, que poderá permitir recuperar a economia e o circuito virtuoso de crescimento das variáveis como o consumo e a despesa das famílias, investimento das empresas, geração de receitas e lucros, criação de emprego, coleta impostos e contribuições sociais pelos os Estados.

O BCE seguiu a mesma linha que a FED dos EUA, o BoE do Reino Unido, o/a PBOC da China, etc. Contudo, o seu balanço ainda detém um peso relativo inferior a 50%  do PIB agregado da Zona-Euro e muito longe dos quase 110% do Bank of Japan ou os mais de 90% do Swiss National Bank. A Europa possui outros mecanismos, como o ESM, que não permitem uma correta comparação, uma vez que existe a possibilidade de utilização de outras ferramentas “não convencionais” .

Neste contexto, o gráfico sugere um coincidente ponto de aumento do balanço do BCE com as valorizações do Stoxx Euro 600 e da dívida “high yield” da Europa. Também reforça a perceção de que a saída desta pandemia e o “reacender / reativar” das economias se fará com mais dívida, exigindo igualmente um rápido e sustentado crescimento económico, sobretudo, por via das exportações.

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