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Chart of the Week - A turbulência vivida no mercado interbancário norte-americano


(O 'Chart of the Week' desta semana é da autoria de Catarina Quaresma Ferreira, gestora da Sixty Degrees.)

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No passado mês de setembro, a taxa de juro do mercado interbancário dos EUA subiu de forma súbita atingindo os 10%, ou seja, cerca de quatro vezes a taxa de referência da Reserva Federal (Fed) para empréstimos equivalentes, vigente nessa altura. O repo market serve para os bancos (e hedge funds) resolverem os seus problemas de tesouraria e permite o encontro entre aqueles que procuram financiamento e os que pretendem aplicar os seus recursos excedentários. Em condições normais, a taxa de juro dos empréstimos interbancários nos EUA situa-se próxima da taxa de referência da Fed para o overnight. No entanto, a subida das taxas de mercado para cerca de quatro vezes o nível da Fed Funds rate parece indiciar a “falta de vontade” dos bancos com recursos excedentários em emprestar dólares para satisfazer a procura das instituições deficitárias. 

Por forma a conter a subida das taxas de juro de curto prazo, a Fed viu-se obrigada a intervir ativamente no mercado, injetando liquidez, situação inédita desde a crise financeira em 2008/9. As operações foram-se revelando sucessivamente insuficientes face à procura de dólares submetida pelos bancos, obrigando a Fed a rever em alta os tetos e prazos em vigor. A crise tem-se prolongado até ao momento presente, obrigando à intervenção continuada da Fed.

É nossa opinião que a intervenção da Fed não se trata de um programa de QE, mas sim de uma atuação de emergência com o objetivo de estabilizar e manter o controle do mercado interbancário. O QE caracteriza-se por uma compra permanente de dívida de longo prazo. Ao invés disso, a intervenção da Fed no mercado repo passa pela injeção de liquidez maioritariamente para um prazo de 24 horas. 

Nesta fase, ainda não são claros os motivos desta turbulência que leva os bancos excedentários em liquidez a recusar emprestar o suficiente para satisfazer a procura das instituições deficitárias em dólares. Será lícito questionar se esta situação poderá ser o espelho dos receios de um eventual problema de crédito no sistema bancário ocidental. A inesperada dimensão destas operações e a indefinição dos seus contornos e fundamentos são razões para um acompanhamento permanente da nossa parte.

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