Chart of the Week - A evolução do rácio de dívida sobre o PIB da África Subsaariana


(O Chart of the Week desta semana é da autoria de Carla Brito Fonseca, portfolio manager da BPI Gestão de Activos)

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O rácio de dívida sobre PIB da África Subsaariana atingiu um mínimo próximo dos 20% em 2008. Para tal contribuiu o perdão de dívida, nomeadamente por parte de entidades como o FMI e o Banco Mundial (em 2005), o crescimento económico e a disciplina orçamental por parte dos referidos países. A trajetória ascendente verificada desde então pode suscitar algumas preocupações. Numa comparação internacional, o rácio não parece excessivamente alto. No entanto, deve ter-se em conta que as economias subsaarianas suportam custos da dívida relativamente elevados, que a capacidade de gerar receita através da cobrança de impostos é limitada e que o contexto nos mercados desenvolvidos é de subida, ainda que faseada e progressiva, das taxas de juro.

Carla Brito FonsecaA busca de yield após a crise financeira mundial, num contexto de baixas taxas de juro nos mercados desenvolvidos, fez surgir uma procura pela dívida destes países por investidores privados, que hoje constituem parte importante dos credores. Vários países da região têm vindo a fazer, com bastante sucesso, emissões de dívida dirigidas a investidores estrangeiros. Adicionalmente, os bancos locais têm vindo a aumentar a sua exposição a dívida pública, aumentando o risco de contágio do soberano ao sistema bancário (à semelhança do que aconteceu recentemente no sul da Europa) e de crowding out do sector privado. Dadas as necessidades de investimento das economias subsaarianas, faz sentido, dentro de um intervalo razoável, recorrer ao endividamento para aplicação em infraestruturas, saúde, educação e outros investimentos com forte efeito multiplicador sobre o PIB. No entanto, o peso do endividamento sobre o PIB deve manter-se fortemente controlado, por forma a evitar um peso excessivo do custo da dívida sobre o orçamento do Estado e a minimizar a vulnerabilidade a choques económicos e a alterações nas preferências por risco. A aceleração do crescimento económico dos países desenvolvidos, parceiros comerciais importantes da África Subsaariana, o caráter faseado das subidas de taxas de juro esperadas na Europa e Estados Unidos, a recuperação do preço das matérias-primas e as recentes revisões em alta das expetativas de crescimento para os países africanos são fatores que reduzem o risco de sobre-endividamento das economias locais. No entanto, é importante considerar, no momento de investir, que países estão a fazer um esforço de disciplina orçamental (nomeadamente, ao nível da despesa corrente), de alargamento da base tributária e de diversificação da economia. Bem perto daquela geografia, o Egipto tem sido um bom exemplo de implementação de reformas estruturais. O novo governo da Africa do Sul tem também dado sinais positivos em termos dos objetivos de consolidação fiscal contidos no orçamento de Estado, com efeitos visíveis na redução das yields soberanas.

De igual movimento das yields tem beneficiado a Nigéria, devido ao efeito combinado da recuperação do preço do petróleo e da expetativa de aumento das receitas fiscais contida no orçamento para 2018. Do sucesso de tais políticas depende a sustentabilidade da dívida e do crescimento económico nos países da região.

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