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Casa de Investimentos: "Para um horizonte temporal de 5 a 10 anos, as ações são a melhor opção de investimento"


(Perspetivas para 2019, traçadas por Emília O. Vieira, CEO & Chairman da Casa de Investimentos)

O que esperam de cada uma das principais economias (EUA, Europa, China Japão) no ano de 2019?

O exercício de realizar previsões de curto prazo é, acreditamos, uma atividade que carece de valor acrescentado. Tipicamente, nesta fase do ano, somos inundados por previsões de grandes casas de investimento mundiais. De facto, se reparar, basta que passe um trimestre para que sejam revistas as previsões. A realidade surpreende frequentemente a imaginação humana e por isso acreditamos que este é um exercício que cria falsas ilusões de conforto aos investidores.

Na Casa de Investimentos, as oportunidades são analisadas à medida que surgem, tentando perceber se, no longo prazo, as perspetivas para os negócios em que queremos investir são favoráveis. Se assim for, e se o negócio estiver a cotar a desconto substancial do valor intrínseco, alocamos aí capital e aguardamos pacientemente para colher esses frutos. Preferimos concentrar-nos no que o ativo vale, na riqueza que produz e nos cash-flows que receberemos no futuro. As variáveis macroeconómicas de curto prazo são pouco relevantes no longo prazo.

Quais as classes de ativos melhor posicionadas para enfrentar o novo ano e que perspetivas têm para cada uma delas (obrigações, ações, imobiliário...). Se tiverem alguma perspetiva sobre o petróleo, dado que é o tema do momento poderia ser importante.

Na Casa de Investimentos, sabemos que as melhores alternativas de aplicação de poupança são ativos reais, expostos ao crescimento da economia mundial, como é o caso de ações de empresas excecionais. Desta forma, investir em ações, continua a ser a melhor forma de proteger e aumentar a riqueza. Se analisarmos os últimos 120 anos, e para todas as geografias mundiais estudadas, as ações foram a classe de ativos com um melhor rendimento médio, de 5% ou mais, em termos reais, isto é, acima da inflação. Adicionalmente são títulos com grande liquidez e transparência.

Para um horizonte temporal de 5 a 10 anos, as ações são a melhor opção de investimento.

O investimento em instrumentos de dívida corporativo ou de governos é, hoje, um péssimo investimento, é destruir poupança. As yields de obrigações de baixo risco ou sem risco em euros estão próximas de zero ou mesmo negativas para maturidades superiores a 6 anos.

Isto significa que a única forma de se conseguir obter um rendimento positivo com este tipo de instrumentos é emprestar a emitentes mais fracos, com maior risco de crédito, ou emprestando por prazos mais longos, aumentando o risco de taxa de juro (estando a fixar o rendimento futuro a um período longo, arriscamos perdas face a variações de inflação).

Por último, em relação ao imobiliário, este é um instrumento extremamente sobrevalorizado pela pequena poupança em Portugal. É um investimento extremamente ilíquido, com custos de operação e transação significativos, o que dificulta a diversificação. Um pequeno ou médio aforrador que investe numa propriedade fica sempre exposto a uma localização ou a um mercado específico, colocando percentagens muito grandes do património num único imóvel ou local. Os fundos imobiliários, que poderiam resolver esta questão da diversificação, sofrem por não ter a transparência dos fundos mobiliários.

Que riscos monitorizam por esta altura com maior preocupação e porquê (mercado ou negócio)?

Na Casa de Investimentos, seguimos uma filosofia de investimento em valor, isto é, compramos ativos que valem muito mais do que estamos a pagar no momento de compra, aguardando pacientemente que o mercado venha a refletir na cotação o verdadeiro valor do negócio que lhe está subjacente.

Assim, a estratégia que seguimos necessita, obrigatoriamente de monitorizar os dois riscos:

• Risco de negócio na medida em que a nossa estimativa de valor intrínseco da ação depende da perceção de qualidade do negócio em causa, e;

• Risco de mercado dado estarmos dependentes que o mercado reflita o valor intrínseco do negócio.

Qual o fundo de investimento (obrigações, ações, misto, alternativo) que recomendam para o ano de 2019 e porquê?

Iremos ter novidades durante o ano de 2019 sobre um fundo de investimento da Casa de Investimentos que, acreditamos, poderá ser uma alternativa de aplicação de poupança em ações que irá refletir os genes da CASA, com uma filosofia de investimento em valor.

Esperamos poder ajudar a alterar a forma como se poupa e investe em Portugal, contribuindo para a criação de riqueza para todos.

Quais os temas de investimento sobre os quais estão mais "sedentos" de informação por esta altura?

Somos, no nosso dia-a-dia, agnósticos em termos de sectores, não existindo constrangimentos na nossa equipa de Gestão de Ativos para analisar sectores específicos. De todo o modo, temos vindo a assistir com interesse ao desenvolvimento de tecnologias com um grande potencial de crescimento em diversos setores que temos vindo a acompanhar como por exemplo o desenvolvimento de motores a hidrogénio para automóveis, condução autónoma, serviços de cloud, impressão 3D, entre outros.

O nosso trabalho é estudar todos os dias, ler vastamente e tentar perceber para onde vai o mundo. Desta forma estaremos muito bem preparados para defender os interesses dos nossos Clientes.

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