Carteiras, clientes e evolução do setor: as principais figuras da gestão de patrimónios nos últimos dez anos


A gestão individual de ativos assume um posto de relevo no contexto da gestão de ativos nacional. No Relatório sobre os Mercados de Valores Mobiliários de 2019 publicado pela CMVM consta que, no final do ano passado, dos 85,9 mil milhões de euros de ativos sob gestão, 62,4 mil milhões estavam alocados a gestão individual. Porém, ao longo das últimas décadas, a predominância deste segmento nem sempre foi a regra. O aumento da sua ponderação deu-se entre os anos de 2002 e 2006, mantendo-se nos anos seguintes graças à solidificação de algumas tendências no ramo da gestão individual.

Durante esse período inicial, o número de carteiras sob alçada da gestão individual registou um aumento notório, ao atingir mais de 50 000 carteiras em 2006. Este valor é aproximadamente cinco vezes superior ao que se registava em 2002, e pode ter funcionado como catalisador para o maior peso da gestão de patrimónios na gestão de ativos nacional. Nos anos seguintes o número de carteiras registou uma tendência decrescente. Em contrapartida, o valor médio das carteiras geridas aumentou, situando-se na casa dos 5 milhões de euros em 2019.

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O incremento do valor médio por carteira pode ser explicado pela evolução na tipologia de clientes. De facto, como é possível observar no gráfico, os fundos de investimento que atribuem à gestão individual mandato para a gestão das respetivas carteiras apresentam não só os maiores valores médios por carteira, como crescimento mais constante nos últimos anos. No final do ano passado, os clientes institucionais (que incluem os fundos de pensões e de investimento) continuavam a ser os principais clientes deste tipo de gestão, à semelhança do verificado na Europa.

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Peso das ações abaixo do nível Europeu

Ao nível da alocação por classe de ativo, a gestão individual de carteiras escolhe aplicar os seus ativos sob gestão em dois tipos de instrumento em partícular: dívida e unidades de participação de fundos de investimento (UP). A detenção de UP corresponde a cerca um quinto dos ativos administrados, e dizem maioritariamente respeito a investimentos em países da União Europeia, sendo aproximadamente 23,2% das UP de ativos nacionais.

Já os instrumentos de dívida (pública, nacional e estrangeira, e privada estrangeira) têm o maior relevo na composição das carteiras administradas em Portugal, correspondendo no final do ano a mais de 60% do valor sob gestão. A dívida soberana incluída nas carteiras continuou a ser predominantemente de origem nacional. Na dívida pública estrangeira destacam-se os valores aplicados em dívida de Espanha e de Itália, tradicionalmente com maiores yields que a de outros países da zona Euro, porventura em resultado de procura de retorno no atual contexto de taxas de juro muito baixas ou mesmo negativas, conforme indicam no relatório. Os valores investidos nos EUA, Portugal, Reino Unido e França representam metade das aplicações em dívida privada.

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É também no campo da alocação que se dão algumas das principais diferenças entre a gestão de patrimónios nacional e europeia. Especificado, no caso dos instrumentos de dívida na Europa, estes representam aproximadamente metade dos valores sob gestão. Já o peso das ações nas carteiras em Portugal, ao situar-se nuns ínfimos 4%, é inferior ao correspondente na Europa (22%).

Um setor de peso

A gestão individual de carteiras mantém um grande relevo no sistema financeiro, não só pela sua preponderância na indústria da gestão de ativos, mas também pela sua elevada concentração e relevo económico. No final do ano, os cinco principais operadores deste tipo de serviço geriam 85% do total administrado. Além disso, também no final de 2019, este segmento representava a 29,4% do PIB, sendo que o total dos ativos sob gestão (individual e coletiva) representavam 40,5%.

 
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