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Carteira de investimentos do banco BPI sofreu com a volatilidade dos mercados no 1º semestre


O banco BPI apresentou um lucro consolidado de 42,6 milhões de euros nos seis primeiros meses de 2020, dos quais 6,5 milhões correspondem ao resultado líquido da atividade registada em Portugal. Comparando com o período homólogo de 2019, estes valores representam uma diminuição de -68%, que a instituição bancária justifica pela contabilização de “83 milhões de euros de imparidades de crédito líquidas, constituídas com carácter preventivo, incluindo imparidades não alocadas decorrentes da revisão do cenário macroeconómico no contexto COVID-19”.

lucros

Contudo, o banco afirma que “a atividade comercial registou um bom desempenho durante o primeiro semestre, apesar do contexto de travagem da economia portuguesa devido à crise do COVID-19”. Esta declaração é suportada no aumento dos recursos totais de clientes em 3,7% desde o início do ano, que totalizavam 35 mil milhões de euros no final de junho deste ano, mais 4,6% face ao período homólogo.

A subida mais expressiva em termos homólogos foi registada pelos depósitos de clientes, que graças a um incremento semestral na ordem dos 8,3%, variaram positivamente nos últimos 12 meses em 10,8%. Em termos absolutos, foram 1,8 mil milhões de euros em depósitos captados desde dezembro de 2019. Ao fecho de junho os depósitos representavam 68% do ativo e constituíam a principal fonte de financiamento do balanço.

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Em sentido contrário estão os ativos sob gestão que registaram uma diminuição de 5,2%, para os 9,2 mil milhões de euros, desde o início do ano. O banco BPI explica esta queda em parte pela "desvalorização da respetiva carteira de ativos financeiros devido à volatilidade dos mercados de capitais” que se verificou intensamente ao longo do primeiro semestre de 2020. Tanto os fundos de investimento como os seguros de capitalização viram a sua ponderação dos recursos de clientes diminuir, apesar destes últimos terem registado um incremento de 5% face ao mesmo período de 2019.

No âmbito do comissionamento, as comissões líquidas decresceram 7,1% em termos homólogos para 118 milhões de euros, “devido ao abrandamento da atividade económica decorrente da pandemia, e incluindo o impacto das medidas de apoio aos clientes implementadas pelo banco, e à evolução dos mercados de capitais com impacto nas comissões de fundos de investimentos e seguros de capitalização”, explicam da instituição.

Já no que toca às responsabilidades com pensões de colaboradores, os fundos de pensões registaram uma rentabilidade de -2.2%, o que compara com os 12,6% observados no final do ano passado, resultando num prejuízo de 50 milhões de euros no primeiro semestre. Através da ligeira revisão da taxa de desconto para os 1,4% (face aos 1,3% em dezembro de 2019), o banco conseguiu um rendimento de 29 milhões de euros no semestre, totalizando um prejuízo de 21 milhões em desvios atuariais no exercício.

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Agências de notação reconhecem solidez do banco

No primeiro semestre, a Moody’s e a Fitch subiram em 1 nível o rating da dívida de longo prazo do banco BPI, para Baa3 e BBB+, respetivamente. Já a Standard & Poor’s mantém o rating no segundo nível de investimento (BBB). É assim conferida ao banco BPI classificação de investimento (“investment grade”) à sua dívida de longo prazo pelas três agências internacionais. Segundo a instituição, “estas classificações são um forte sinal da solidez do Banco e da sua capacidade de apoiar a economia portuguesa”.

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