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Capital de risco aumentou em 2011 valor investido em empresas residentes


O montante investido pelo capital de risco português em empresas residentes aumentou em 2011, com tendência contrária a verificar-se nas não-residentes, sendo os principais destinatários do investimento as indústrias transformadoras, sociedades gestoras de participações sociais (SGPS) não financeiras e empresas do sector de ‘utilities’.

De acordo com o relatório anual da actividade de capital de risco – 2011, elaborado pela CMVM, o valor investido em sociedades nacionais teve um aumento de 16,8% face ao ano anterior, enquanto o capital direccionado para empresas não residentes desceu 5%.

O valor dos investimentos das sociedades de capital de risco (SCR) e dos fundos de capital de risco (FCR) relativos às participações em capital social de empresas domésticas não cotadas (equivalente a 36,8% do investimento em empresas residentes) caiu 7% para 591,1 milhões. Nas empresas não residentes não cotadas, a descida foi de 12%, para 593,2 milhões de euros; contudo, sublinha a CMVM, uma única SCR tinha em carteira 490,8 milhões investidos em empresas não residentes.

Nas empresas cotadas, as participações no capital social, “que assumem um valor pouco expressivo nos investimentos do sector (2,1%)”, desceu 10% no caso de cotadas nacionais, e 51,6% no das estrangeiras,. “Esta evolução é compatível com a vocação do capital de risco, que não deve consistir no investimento de empresas colocadas no mercado e que já têm acesso a fontes alternativas de financiamento”, refere a CMVM no relatório.

A entidade de supervisão destaca o direcionamento dos recursos do sector para ‘outros financiamentos’, que nas empresas residentes aumentou 42,4% face ao ano anterior, para 869,9 milhões de euros, e nas não residentes atingiu 82,7 milhões. Neste contexto, alerta, “o peso reduzido das participações em capital social não pode deixar de suscitar reflexão sobre a orientação dos investimentos do capital de risco”. Salienta ainda o papel desempenhado pela componente dos suprimentos – representaram cerca de 621,5 milhões de euros (65,2% do total de outros financiamentos)-, e dos empréstimos não titulados, que representaram 14,7% dos outros financiamentos.

Importância das indústrias transformadoras

Por sectores, o relatório anual de capital de risco, de 2011 refere que, “a evolução nos últimos três anos do peso relativo dos sectores de actividade, revela um aumento da importância das indústrias transformadoras”, sector que, sendo dos maiores contribuintes para a produção de bens transacionáveis, “é uma alavanca fundamental para o fomento das exportações nacionais e para a recuperação da economia portuguesa”.

No ano de 2011, 51% do investimento em capital de risco (cerca de 1,2 mil milhões de euros) foi dirigido a três sectores; o das indústrias transformadoras (18,7%), as SGPS não financeiras (17,9%) e ao de captação, tratamento e distribuição de água, saneamento, gestão de resíduos e despoluição (14,3%).

De acordo com o referido documento, o investimento feito pelos FCR “foi dirigido maioritariamente para empresas transformadoras (392,5 milhões de euros) e a SGPS não financeiras (383,5 milhões)”, sendo que neste caso abrangeu 85”. Nas SCR, o sector de actividade com maior valor investido era, em 2011, o de captação, tratamento e distribuição de água, saneamento, gestão de resíduos e despoluição. 

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