Caixagest Investimento Socialmente Responsável: a busca por um retorno sustentável


O investimento socialmente responsável é uma estratégia de investimento que procura o retorno financeiro a par com critérios de bem social. Seja por critérios de exclusão - retirando do universo investível sectores como os do tabaco, armamento, jogo ou bebidas alcoólicas, por exemplo -, seja por filtragem positiva por critérios de melhores práticas sociais, ambientais ou de governance, este tipo de estratégias procuram representar um veículo para o investimento em empresas sólidas que procurem mais do que apenas o crescimento indiscriminado de vendas e resultados.

O interesse pelo tema do investimento socialmente responsável não é uma novidade. Efetivamente, em Portugal, o interesse pela temática tem vindo a crescer, sendo que recentemente, a APFIPP organizou uma conferência que reuniu organizações focadas no tema e players que já atuam a este nível. Nesta apresentação esteve por exemplo a Caixagest, pioneira num fundo de investimento aberto misto socialmente responsável que estará disponível para os investidores (tanto institucionais, como de retalho) a partir do final de Abril.

“Acreditamos que existe um nicho de mercado a aproveitar neste âmbito”, começou por dizer Paulo Ribeiro, head of product development da entidade, em entrevista à Funds People Portugal.

Tal como noutros mercados em que este tipo de investimento já tem uma expressão significativa (como é o caso do segmento de fundos de pensões na Holanda), o Caixagest Investimento Socialmente Responsável nasce também ele da procura dos próprios investidores institucionais, e da conveniência que a temática tem na sua agenda de investimentos, tal como na sua missão intrínseca. “A nossa primeira abordagem com o fundo será para clientes institucionais, pois achamos que eles vão ser os primeiros a ‘reagir’ a este tipo de produto”, diz Paulo Ribeiro.

Salienta que por exemplo, as Fundações, são um alvo interessante “pois tratam-se de entidades que já partilham de alguns dos valores em causa”,  muito embora “os particulares também achem interessante os investimentos que estejam sujeitos a uma filtragem socialmente responsável”, inclusivamente acreditando que os mesmos podem representar uma expressão das suas convicções.

Política de investimento

O fundo que investe 70% em obrigações e 30% em ações, tem a sua definição de investimento através “de dois índices que misturam mais do que uma técnica de filtragem de empresas”. Segundo o head of product development “ambos os índices executam uma exclusão de sectores nos quais investem”, fazendo, nos outros sectores que sobram, um investimento “em empresas que tenham as notações ESG mais altas”.

No caso das ações, o índice usado é o Ethibel Sustainability Index Excellence Europe, enquanto nas obrigações o universo de investimento é definido pelo Barclays MSCI Euro Corporate ESG + SRI. “O índice de ações escolhe as empresas com melhores notações para depois preencherem os buckets sectoriais”, explica.

Muito embora os dois índices referidos sejam o “guia” para o universo investível pelo Caixagest Investimento Socialmente Responsável, a equipa de ações e obrigações da entidade gestora dará o seu input em “função das visões de valor relativo entre esses títulos”.

Do lado do cliente, Paulo Ribeiro acredita que um investidor deste fundo pode esperar “a segurança de que o universo de investimento segue critérios de consciência social – filtragem e eliminação de certos sectores com más práticas – conseguindo, ao mesmo tempo, ter uma carteira devidamente diversificada”. Importante assinalar é também o facto destas carteiras terem “um natural enviesamento para a qualidade e menos volatilidade”, sem prejuízo para os retornos. Tais características estão em linha “com aquilo que se espera encontrar nestas carteiras”, pois “tratam-se das empresas bem geridas e com números financeiros mais sólidos e com menos alavancagem”.

 

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