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‘C’rossover ‘C’hique…


A porta de entrada na gama ‘Cross Country’ da Volvo V40, é o modelo D2, equipado com um 4 cilindros diesel de dois litros com 120cv e preços a partir de 30.393€.

No caso do modelo D3 ‘Summum’ em ensaio, o motor 2.0D apresenta uns mais generosos 150cv, 320Nm de binário máximo e um preço, já com diversos extras, de 40.864€.

Confesso que tenho alguma dificuldade em eleger concorrentes directos para este crossover ‘sui generis’.

Se um Mini Countryman SD, equipado com um 2.0diesel de 143cv e com um nível de equipamento semelhante consegue ficar-se pelos 37.000€, já um Mercedes GLA 200CDI com apenas 136cv, e sem extras, fixa a fasquia acima dos 40.900€.

Ou seja, esta V40CC D3 está mais ou menos isolada em termos de concorrência, o que só abona em favor da originalidade e exclusividade do conceito.

Com uma suspensão sobrelevada em 40mm quando comparada com uma V40 à ‘civil’, a CC enfrenta pisos menos ortodoxos sem qualquer problema, faz da transposição de passeios uma brincadeira de crianças e evita que fiquemos com um calafrio na espinha cada vez que nos aproximamos um pouco mais depressa de uma lomba na estrada.

Apesar de não dispor de tracção integral (reservada para a versão T5 AWD), esta V40 desenvencilha-se com relativo à vontade em pisos de terra e, graças às protecções presentes um pouco por toda a carroçaria, deixam-nos de espírito um pouco mais tranquilo quando o andamento faz levantar mais pó!

Em estrada, ou fora dela, o conforto a bordo é bastante bom, mérito devido aos excelentes bancos, apanágio de uma marca que em boa hora, e ainda na década de 60, recorreu à ajuda de cirurgiões ortopédicos para os desenhar.

A suspensão tem uma afinação suave e um curso generoso, sem no entanto enfatizar adornos nefastos.

A qualidade de construção está em muito bom nível, apresentando uma rigorosa escolha de materiais e uma robustez de montagem que supera a V60 que testamos há umas semanas. Nota negativa para um persistente barulhinho emanado da caixa do sensor de chuva junto ao espelho retrovisor… Algo pontual na unidade ensaiada, muito provavelmente.

Felizmente, contamos com um bom sistema de som e, se for esse o caso, rapidamente se ‘eliminam’ ruídos parasitas.

O painel de instrumentos 100% digital tem um grafismo bastante cuidado e muito completo, sendo o conta-rotações o único item que não recolhe a minha aprovação. Não só é demasiado pequeno, como o mostrador de ponteiro tipo ‘sobe&desce’ torna a leitura pouco intuitiva.

Apesar de uma excelente posição, graças às amplas regulações do binómio banco/volante, a visibilidade não é a ideal, especialmente no quarto traseiro, dada a configuração sobrelevada do pilar ‘C’ e à reduzida altura dos vidros das portas traseiras.

O espaço nos lugares dianteiros é bom e a ergonomia de todos os comandos denota um cuidado especial por parte dos engenheiros suecos. Onde essa preocupação não foi tão notória foi na dotação de espaço nos lugares traseiros, onde, se 2 adultos viajam com razoável conforto, a 3 só mesmo com boa vontade! Já para não falar na capacidade da mala com uns acanhados 335 litros!

A insonorização e a suvidade de funcionamento deste 4 cilindros com 150cv são dois dos seus principais atributos, algo que fica bem patente no funcionamento quase impercetível do sistema Start/Stop. No entanto, e apesar de um binário de 320Nm, senti alguma letargia neste motor, penalizado ainda por umas relações algo longas da caixa manual de 6 velocidades, o oposto do que encontramos na ‘Geartronic’ automática de 8 velocidades (disponível como opção).

O manuseamento da caixa também não se verificou ser o mais preciso, apesar de um tacto leve e curso de punho adequado.

Outro pormenor que me dificultou no convívio com a V40 CC foi o tacto ‘pesado’ dos pedais, especialmente o do acelerador, dificultando de sobremaneira os arranques e a sensibilidade na utilização em velocidades mais baixas.

Percorridos quase 600kms de ensaio, o consumo médio ficou-se pelos 6.9 l/100 o que, tendo em conta os mais diferentes cenários de condução: cidade, estradas secundárias (algumas desprovidas de alcatrão) e troços de Autoestrada a velocidades pouco legais, posso considerar como adequados e dentro da média do ‘mundo real’.

A marca tem como objectivo de curto prazo que, em 2020, ninguém perca a vida ou fique gravemente ferido a bordo de um Volvo novo. Algo que não surpreende, dado o ‘track record’ nórdico no que toca à segurança activa e passiva dos seus veículos. Não fosse por eles e o mundo nem saberia o que é o ‘teste do alce’.

Só desejo é que, até 2020, para além da segurança, a emoção da condução também possa ser um ingrediente a juntar à receita.

Clique aqui para mais fotos  http://thecarlounge.pt/2015/09/03/ensaio-volvo-v40-cross-country-d3-crossover-chique/

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