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‘C’ompleto!


A2 em direcção a Sul, levo o Tempomat ligado nos 131km/h. Estão 32ºC lá fora, o AC automático bizona vai a ‘bombar’ nos 21ºC e o computador de bordo do Mercedes C220 BlueTec que conduzo está a indicar 4.9l/100… Até vou ser picuínhas e ir ao detalhe de vos dizer que, instantes antes, o consumo médio era 4.8l/100!

Vozes do descrédito e da ‘má-língua’ argumentarão sempre que 4.8 ou 4.9 são consumos ‘normais’ e que ‘uma vez’ fizeram bastante melhor e tal e tal… tretas!
Para um carro com quase 1.600kg de peso, a 131km/h, com tempo quente – longe de serem as condições ideais de rendimento para um motor turbocomprimido – e AC em modo de ‘trabalhos forçados’, não me venham dizer que um consumo inferior a 5.0l/100 não é, no mínimo, excelente?

Sobretudo quando o carro em questão não é propriamente um tricilíndrico com 700cc, mas antes um diesel bi-turbo, com 2.143cc de capacidade, capaz de debitar 170cv e 400Nm de binário, superar os 230km/h de velocidade máxima e, mesmo contando com uma caixa de 6 velocidades manual com relações ‘extra-longas’ e curso de manuseamento igualmente longo, ainda é capaz de despachar o exercício de 0-100 em 7.7s!

Ainda não estão convencidos quanto os consumos? Ah pois, bem me parecia!

Isto sem nunca esquecermos que desfrutamos deste binómio performance/consumo num conforto tipicamente Mercedes e, no caso do modelo ensaiado, ainda é tanto mais marcante graças à presença de uma suspensão ‘convencional’ (leia-se ‘não AMG’) e de umas ‘banais’ jantes de 17 polegadas.

Em face disso, o melhor é esquecer grandes aventuras em estradas com muitas curvas, pois se as características mencionadas atrás são positivas para o conforto quando se rola a direito, o inverso nem sempre verifica!

A propósito de curvas, aproveito para referir um pormenor que me incomodou neste modelo; a falta de apoio lateral dos bancos. Apesar de muito confortáveis e com regulação parcialmente elétrica, cabiam 4 dedos (de cada lado) entre o meu tronco e o suporte lateral… Claro que se eu for um alemão com 100kg e 1.90m de altura, os bancos serão, seguramente, bacquets! Apesar deste pequeno ‘senão’, surpreendeu-me a facilidade com que a frente se insere, tornando o ‘C’ bastante mais ágil do que à partida supunha.

Mas se há algo que impressiona neste novo ‘Merc’, é o interior!

Não só pelo generoso espaço disponível em qualquer um dos seus 5 lugares, como pela excelente insonorização, pela robustez de montagem, ou ainda pela cuidada escolha de materiais do seu magnífico tablier e quadro de instrumentos. Basta que toquemos nos botões da consola central (preto brilhante com aplicações em metal que, com certos ângulos de sol, nos encandeiam momentaneamente) ou nos comandos das saídas de ar para percebermos que não há espaço para imitações, são em metal mesmo!

No top das preferências de utilização esteve o botão ‘Agility’, que permite alternar entre 4 modos de condução/mapeamento/resposta: ‘Eco, Comfort, Sport e Sport+’, sendo que, para grande surpresa minha, quando optamos pelos modos ‘Sport’, o motor faz rev-match (vulgo ‘ponta-tacão’ para os mais distraídos’) nas reduções! Chapeau!

Não será surpresa para os conhecedores da marca que o preço estará no topo da escala face aos seus concorrentes. No caso deste particular C220, quase ‘despido’ de extras – somente 4.536€ - atira o preço final para lá dos 51.100€, o que, face aos concorrentes directos BMW 320d (163/184cv) e Audi A4 2.0TDi (150/190cv), ainda assim, não o penaliza demasiado. O design desta versão 2015 será talvez o ponto de discussão mais frequente, pois se a nova frente me conquistou rapidamente, já a traseira com um look de ‘mini-Classe S’ não me foi, de todo, fácil de digerir. Ao longo de 4 dias de saudável convívio com o ‘220’, de uma coisa não restaram dúvidas, tem uma ‘presença’ em estrada que leva muitos a olhar 2 vezes, Gosto! 

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