Buy and mantain credit: entre o passivo e o ativo com um rasgo de eficiência


A AXA IM esteve em Lisboa para apresentar uma solução, que, Florian GrandcolasHead of Product Specialists, começou por apelidar de “old way to manage fixed income”. E porquê esta estratégia por esta altura? Foi com um exemplo específico que o especialista começou por dar um exemplo do que assiste do lado das necessidades dos clientes. “Um investidor que queira investir no longo prazo, tipicamente, dirigir-se-á a um asset manager dizendo que precisa de investir, por exemplo, em crédito europeu. Irá pedir que lhe apresentem um benchmark fund, ou até mesmo um ETF que tente replicar um benchmark. No final de contas, tratam-se de index based strategies, e sabemos que estas têm um certo nível de falhas que se materializam em dois problemas específicos, a construção e o comportamento”, apontou.

Do lado da construção dos índices o problema não é novidade. “Quando se compra um índice, por exemplo através de um ETF, isso significa que se está a comprar tudo o que está dentro desse índice, e não se consegue controlar todo esse conteúdo. Tipicamente, isso também quer dizer que se compram os maiores sectores e os maiores emissores do mercado, ou seja, os sectores e emissores com maior dívida. Isto representa claramente um potencial problema”, atestou. Do lado dos problemas comportamentais, Florian Grandcolas recordou problemas técnicos dos fundos passivos. “Tipicamente, um fundo passivo terá de vender quando uma obrigação sofre um downgrade por exemplo para uma classificação BB, e isso não é necessariamente uma boa ideia.  Há estudos que provam que a pior altura para vender é imediatamente depois do downgrade”, sentenciou.

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Os aspetos atrás enumerados redundam, na opinião da casa, em custos “encobertos”. A estratégia Buy and Mantain credit propõe-se precisamente a ser “uma solução que lida com essa questão dos custos”. “Trata-se de um portefólio que olha para o longo prazo, muito diversificado – e diversificado não necessariamente na perspetiva de um benchmark – olhando para os fundamentais de longo prazo, não esquecendo o objetivo da rentabilidade. Tentamos mitigar o risco, evitar downside, e ao mesmo tempo dirigir os retornos para o cupão”, resumiu.

Divisão sectorial

Como já referido, a inexistência de um benchmark é uma das caraterísticas deste produto, muito embora em termos “processuais” exista uma divisão do peso dos sectores. “O fundo investe 1/3 no sector financeiro, 1/3 em corporate cyclicals e 1/3 em corporate non-cyclicals”, enquanto que ao nível dos emitentes, “em vez de um peso definido pelo benchmark, optámos por ter 0,5% em 200 nomes, filtrando o universo”, referiu. É vedada a entrada no fundo às subordinadas financeiras, enquanto que todos os nomes mais arriscados, que não passem no nosso processo interno de research,  também são excluídos.  O portefólio preocupa-se também em ter 20% de obrigações a chegar à sua maturidade todos os anos.

A necessidade de fazer um rebalanceamento do portefólio é diminuta, e isso, obviamente, reflete-se num turnover baixo – inferior a 10% - que vai ao encontro do objetivo da estratégia. “Este trata-se de um fundo bastante diversificado, em que usamos as nossas melhores capacidades, mas tentando que os nomes em carteira sejam mantidos até à maturidade no fundo, para reduzir o turnover, e, consequentemente, custos e management fees para os clientes”, explicitou Florian Grandcolas. 

A comparação com as estratégias ativas – mas principalmente com as estratégias passivas – acaba por ser imperativa. “Há três formas de ver como é que a performance é impactada quando comparamos os fundos ativos e os passivos com a estratégia Buy and mantain”, referiu.

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“A primeira dessas formas é o turnover, mas temos também a venda forçada de títulos. Como vemos na tabela, os ETFs e os fundos passivos acabam por não ter escolha. A regra é serem obrigados a vender. Um estudo da Morgan Stanley relativamente a este tema mostra que este ponto custa aos fundos passivos 25 pontos base de performance todos os anos no longo prazo, o que é muitíssimo. No que toca aos outros pontos que entram nesta equação, como é visível nestes dados, observamos que esta se trata de uma solução muito eficiente”, justificou  o especialista.

Relativamente à performance do fundo, da AXA IM deixaram duas conclusões que provavelmente o tornam mais atrativo por esta altura. “O fundo tem batido ligeiramente o mercado – o que é bom para esta altura de mercado – mas também, e mais importante ainda, tem-no feito com menor risco de crédito”, assegurou. Em termos de comportamento o Head of Product Specialists foi muito direto: “Este acaba por ser um fundo mais conservador que tentará ter uma outperformance em tempos voláteis, como este ano por exemplo, mas que, por outro lado, poderá sofrer uma underperformance quando estivermos a falar de um bull market”, concluiu.

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