Brasil, um novo fôlego?


Na semana passada o Banco Central do Brasil baixou a taxa Selic para 7,25%, provocando mais uma enorme onda de contestação por parte de alguns operadores de mercado, incluindo o próprio Arminio Fraga, ex governador e responsável do fundo da Gávea. Recorde-se que o retorno anualizado desta taxa desde 2006 é de 11,5%, longe dos 45% em 1999 o que mesmo assim a coloca na liderança das taxas ‘risk free’ reais mais elevadas do mundo. Estando o fantasma da inflação resolvido (com inflação esperada de 5,2% e meta de 4,5%), um Brasil com um controlo monetário muitíssimo mais rigoroso e um crescimento a anos luz da época Color, porquê tanta polémica?

A razão embora aparentemente simples é raramente assumida. Dos 2.000 mil milhões de reais sob gestão neste mercado, 76% está investido em dívida, na qual a emissão pública e quase-pública domina. Obviamente, com estas taxas centrais num pais no espectro oposto do défice dos ocidentais e com inflação controlada, pouco ou nada mais há que fazer nas carteiras. Aliás, mesmo na componente accionista da maioria dos fundos de investimento, o recurso a esta famosa taxa (mais conhecida por CDI) seguido de alavancagem, explica grande parte dos retornos...

Acontece que a visão do banco central é de transformar esta taxa em mais um mecanismo de controlo monetário. Até aqui o seu efeito tem sido contra cíclico, pois ao não existir uma grande alavancagem (‘debt’/GDP de 54%) , a subida das taxas não arrefecia a economia, pelo contrário aumentava a riqueza por via do retorno elevado no aforro.

Obviamente que este tema tem causado enorme alarido junto dos grandes fundos de pensões, cuja primeira medida foi a de baixarem as respectivas metas actuariais. Nos bancos, esta mesma pressão também é sentida, mas assumiram a substituição da margem nos passivos com uma expansão do crédito. Quanto aos primeiros, não terão outro remédio se não recorrer aos métodos “tradicionais” de avaliação de risco e diversificação em vários instrumentos financeiros, abrindo o mercado a uma nova vaga de financiamento e capital via instrumentos clássicos como dívida privada (‘corporate’, ‘high yield’ e securitizada) e capital via mercado primário.

Estou plenamente convencido, que o caminho no Brasil está aberto para uma maior democratização no acesso ao capital. Este é seguramente o início de uma nova fase de crescimento de um país que retirou 100 milhões de pessoas do limiar da pobreza, transformando-os em ávidos consumidores, amadureceu politicamente e tão dificilmente conquistou a sua estabilidade monetária.

A história depois dirá se conseguirão ou não aprender com os erros dos seus avós Europeus!

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