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BPI África: o valor do investimento num continente rico em oportunidades


Na primeira semana de fevereiro – pico de volatilidade desde o início do ano - talvez muitos dos que investem habitualmente na Europa e nos EUA desejassem “secretamente” um fundo que permitisse reduzir a volatilidade da carteira e suavizar a queda com um comportamento positivo e descorrelacionado dos mercados desenvolvidos.

Teresa Pinto Coelho, Carla Brito Fonseca e José Mendes (na foto), da equipa de gestão do BPI África, atestam que o fundo, nesse período, não só se mostrou resiliente como se aproxima rapidamente de um retorno de 8% desde o início do ano. Um desempenho que oferece portanto a “descorrelação prometida num mercado inexplorado”, através de um produto gerido integralmente de forma agnóstica face a um benchmark: um estilo de investimento value, centrado numa abordagem bottom-up que com recurso ao stock picking seleciona uma carteira de investimento concentrada nas melhores ideias de investimento do continente africano.

Na gestão desta estratégia, que conta quase com 10 anos de maturidade, o acesso à informação sobre as empresas é um dos desafios apontados pela equipa de gestão. “Contrariamente ao que acontece nos mercados desenvolvidos, em grande parte do universo africano, apenas existe acesso aos resultados das empresas duas vezes por ano, uma desvantagem que acaba, no final de contas, por obrigar também a uma disciplina essencial na gestão do fundo”, sublinham. A ausência de ‘ruído’ permite centrar nos principais argumentos de cada caso de investimento e na sua sustentabilidade no longo prazo.

As questões macro de cada um dos países investíveis não podem deixar de ser monitorizadas para assegurar que existem condições de estabilidade para que as companhias que compõem o portefólio apresentem resultados em linha com a expectativa dos investidores. Se por algum motivo essa estabilidade é posta em causa, a equipa de gestão assegura que “as medidas de controlo de risco são imediatamente acionadas”.

Diferenciar da concorrência

Afastar-se de qualquer benchmark e superar outros fundos similares da concorrência: este pode dizer-se que é um dos objetivos da gestão do BPI África. Desta forma, o fundo domiciliado no Luxemburgo tem como guideline interno uma exposição à África do Sul inferior a 40%, situando-se atualmente em 36% e garantindo os benefícios da diversificação do portfolio entre as diferentes regiões do continente. “Este guideline interno permite construir uma carteira defensiva, diferenciar de outros fundos da concorrência, e responder às solicitações dos nossos clientes que procuram um activo que permita diversificar a carteira. Achamos que o stock picking que fazemos torna este um produto único num mercado com uma forte dinâmica de crescimento e desconhecido dos investidores mais sofisticados”, indicam.

Geograficamente, as empresas da África do Sul dominam a carteira com uma exposição de 36,3%, sendo também relevantes as posições detidas no Egipto (18.7%) e na Nigéria (18.5%). Em termos sectoriais, a equipa da BPI Gestão de Activos explica que o sector financeiro continua a ser “muito relevante” em carteira (26,6%) devido à “preponderância que este tipo de empresas apresenta em cada uma das bolsas destes países” e ao contexto promissor em que actuam. Contudo, a grande “história de investimento” do fundo é outra. “O consumo cíclico e o consumo não cíclico, juntos, representam aproximadamente 30% do portefólio”, número que demonstra a atenção dada pelos profissionais ao tema do “crescimento da população aliado ao aumento do poder de compra nestes países”.

Com visitas recorrentes aos países e empresas em carteira, a equipa gestora do BPI África sabe que investir neste continente acaba por exigir uma investigação muito profunda das companhias que não prescinde do conhecimento da realidade local. A investigação é exigente e passa por muitas fases mas permite a descoberta de incríveis oportunidades: companhias pequenas, quase ignoradas por analistas e investidores, com enorme potencial e a transacionar a desconto face ao valor intrínseco. Vejamos alguns exemplos de empresas dos países mais representativos do portfolio:

AVI - África do Sul – peso em carteira atual: 3.05%

- Recentemente excluída das top positions em carteira em resultado da forte performance do mês de fevereiro, a AVI – empresa sul-africana é uma empresa doméstica, que tem fortes marcas de produtos de consumo, que vão desde o retalho alimentar ao vestuário. “Trata-se de uma empresa que protege muito bem as margens e a gestão da empresa executa exemplarmente uma estratégia que assegura uma posição dominante nas principais categorias de produtos, até mesmo em ambientes económicos desfavoráveis. Esta empresa serve um nicho de mercado que não prescinde destas marcas, portanto para nós é um título muito interessante e que em muito contribuiu para a performance do fundo dos últimos meses”, dizem.

NASCON – Nigéria - peso em carteira atual: 1.72%

- Pequena empresa totalmente dedicada à produção, refinação, embalagem, e distribuição de sal, que reúne muitas das características mais procuradas por uma gestão orientada para o estilo value. “A empresa foi adicionada ao portfolio em meados de 2016 e lentamente o seu valor começou a ser reconhecido pelo mercado resultando num ganho já superior a 160%. Este caso exemplifica bem as vantagens de conhecer estes mercados há mais de 10 anos e de investir em títulos que saem muitas vezes do espectro habitual de investidores de países emergentes e frontier”.

ELSEWEDY ELECTRIC – Egipto - peso em carteira atual: 3.17%

- Num contexto de aceleração do ritmo de investimento em infraestrutura no Médio Oriente a superioridade e competitividade do modelo de negócio da Elsewedy Electric é facilmente reconhecida através do grande número de projectos ganhos pela empresa nos últimos 12 meses. A Elsewedy oferece serviços integrados de engenharia, procurement e construção sobretudo para projectos de produção energética. “Por via da desvalorização da moeda no país no ano passado, a empresa tornou-se ainda mais competitiva. Já era muito forte na zona do Médio Oriente, e agora tem vindo a ganhar mais projetos também noutras regiões destacando-se pelo longo track record de execução e parcerias de relevo como com a Siemens”, referem. O Egipto, recordam, passa agora por uma importante fase de crescimento económico, estando “inserido num programa do FMI, com a aplicação de medidas bastante duras de racionalização, de redução dos subsídios aos combustíveis, etc”. Uma situação que acabou por ter “um grande impacto negativo na economia interna” no ano passado, mas que parece começar agora a dar sinais positivos animadores. “Talvez estejam já reunidas as condições necessárias para o país dar a volta, como revela a diminuição dos níveis de inflação e redução de taxas de juro”.

Num produto com estas características, a carteira tem de ser examinada frequentemente – ao ritmo das mudanças neste vasto universo de investimento – mas "o processo de investimento esse mantem-se idêntico há quase 10 anos resultando num produto único e capaz de gerar retornos atrativos com baixa correlação". A equipa do BPI África guia-se por critérios value, numa análise prudente que contempla estudos de sensibilidade e risco que permitem que quando se inclui um título em carteira, “num tempo máximo de 2 anos o retorno deva ser materializado”. “Felizmente”, acrescentam, o período médio de retenção de um título em carteira tem sido mais breve do que isso, e está próximo do ano e meio. Os resultados são muito satisfatórios e o retorno gerado neste primeiro trimestre comprova o tom optimista da equipa.

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