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Bolsas europeias distanciam-se negativamente da bolsa americana


Apesar de numerosos analistas financeiros terem expressado nas suas notas de research ao longo deste ano, preferirem as ações da Europa, a realidade é dura para quem seguiu essa via. E o mês de agosto tem sido mais um exemplo do mau comportamento relativo das bolsas europeias face à bolsa americana.

Desde o início do ano e até 22/8, o índice S&P 500 valorizou 7% enquanto que a bolsa inglesa caiu 1,7%, o índice EuroStoxx 50 caiu 2,4%, a bolsa alemã caiu 4,2%, a bolsa francesa subiu apenas 1,8%, a bolsa espanhola caiu 4,5%, a bolsa italiana caiu 5,1% e a bolsa portuguesa subiu 2,7%.

Alguns fatores podem ser apontados para a pobre performance relativa das bolsas europeias: o ciclo económico americano é mais vigoroso e começou há mais tempo (o QE americano já leva quase 10 anos); o risco geopolítico em que o mais recente episódio da crise na Turquia é um dos exemplos; a dependência exportadora da economia alemã, mais vulnerável quando aumenta o risco do protecionismo comercial; as dificuldades que a Alemanha e a Itália enfrentaram para constituir governo; a mudança de governo em Espanha que sucedeu a um período de instabilidade no país vizinho; e algumas dúvidas na força da coesão europeia, motivadas essencialmente, pelas divergências em torno das políticas de imigração e dos refugiados.

A redução da taxa de crescimento económico no 2º trimestre de 2018 na zona euro foi bem o espelho de alguma influência dos fatores anteriormente enumerados, ao cair de 2,5% em termos anuais no 1º trimestre para 2,2% no 2º trimestre. A evolução do indicador PMI da indústria da zona euro nos primeiros sete meses do ano confirma igualmente alguma perda de gás da economia: o indicador caiu de 60,6 em dez/2017 para 54,9 em jun/2018, tendo recuperado ligeiramente para 55,1 no passado mês de julho. Nos EUA, o indicador PMI praticamente manteve-se inalterado: 55,1 em dez/2017 e 55,3 em jul/2018. Espera-se que os próximos meses, o PMI da indústria na zona euro possa recuperar.

As piores performances económicas na zona euro no 2º trimestre de 2018 foram a França (caiu de 2,2% no 1º trimestre para 1,7% no 2º trimestre), a República Checa (de 4,2% para 2,3%), a Holanda (de 3% para 2,7%) e a Alemanha (de 2,1% para 1,9%). Portugal registou uma melhoria no crescimento económico, passando em termos anuais de 2,1% no 1º trimestre para 2,3% no 2º trimestre.

Nos EUA respiram-se melhores ares, uma vez que o PIB cresceu no 2º trimestre em termos anuais 4,1%, quase garantindo um crescimento mínimo de 3% em 2018, facto que não acontece há cerca de 10 anos.

Apesar de a época de anúncio de resultados das empresas europeias ter sido positiva, os investidores continuam receosos de que algo decorra mal, à medida que o bull market avança no tempo.

Do ponto de vista da análise fundamental, a diferença de performance entre a bolsa americana e as principais bolsas europeias não se justifica. Contudo, a Europa tem mais vulnerabilidades políticas e de coesão que os EUA, apesar da atuação demasiado agressiva de Trump (pelo menos nos comentários que faz nas redes sociais).

Trump, como muitos políticos no mundo (especialmente em Portugal), pauta muitas vezes a sua conduta com base no “olhem para o que eu digo, não olhem para o que eu faço”.

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