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BlackRock eleva a probabilidade de que aumentem o riscos geopolíticos... e nenhum é a guerra comercial


Não passou nem um mês desde que Donald Trump retomou a guerra comercial com a China e que estava adormecida há uns meses, com a ameaça de que ia subir as taxas alfandegárias para o gigante asiático. Não passou nem uma semana até cumprir a promessa com a consequente reação dos mercados que desde então não fizeram outra coisa senão negociar em baixa.

Apesar da guerra comercial ser o risco geopolítico que maior impacto está a ter no mercado, não é o único que deveria ser analisado pelos investidores. De facto, há outros que por não serem negociados no mercado deixam de ter interesse para os investidores. A BlackRock, através do BlackRock Investment Institute, levou a cabo este mês a atualização da sua Geopolitical Risk Dashboard e elevou a probabilidade de que se intensifiquem dois dos dez riscos políticos que analisam. O primeiro deles é o da política da América Latina. “Estamos preocupados com o clima político do Brasil, além do agravamento que podem despertar as eleições da Argentina ou se a crise na Venezuela piorar com efeitos negativos para o mercado global de petróleo e para os seus países vizinhos”, referem da gestora. A respeito da Argentina, também se pronunciou recentemente Adrien Pichoud, economista chefe e gestor de carteiras da SYZ AM face às sondagens que apontam para uma vitória de Cristina Kishner sobre Mauricio Macri nas eleições que acontecem na Argentina no fim deste ano. “Um possível regresso da ex-presidente Kishner despertou a preocupação dos investidores no que diz respeito à continuidade da política económica e das probabilidades de incumprimento da dívida pública. Assim, o spread dos CDS argentinos a cinco anos disparou mais de 360 pontos base durante o mês, e o custo do 'seguro' face a um incumprimento da dívida pública alcançou os 12%”, afirma este especialista.

Outro dos acontecimentos geopolíticos onde a BlackRock agora vê mais risco do que no passado é o que se refere às tensões no Golfo, com o impacto que as sanções ao Irão possam ter no preço do petróleo e as complicadas relações que mantêm os EUA e a Arábia Saudita. De facto, nos últimos dias tanto o petróleo West Texas como o Brent sofreram fortes quedas na sua cotação não só pela tensão com alguns dos países produtores de crude como também face ao risco de que a guerra comercial incida negativamente na economia e, por isso, na procura por matérias primas.

Além disso, ainda que a gestora reconheça que o impacto dos riscos geopolíticos nos mercados foi historicamente a curto prazo reconhece que este possa alargar-se no tempo num contexto de desaceleração económica já que aumenta a sensibilidade do investidor perante estes acontecimentos.

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