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Bernardo Godinho (Banco Privado Atlântico Europa): “A grande questão será quantos trimestres serão necessários para voltar aos níveis de atividade pré-pandemia”


Tudo indica que o 2º semestre será marcado pela recuperação das economias mundiais, após a quebras históricas no 1º semestre. A China deverá ser a economia menos afetada (registando um ligeiro crescimento em 2020), mas as economias desenvolvidas deverão contrair entre 5% a 10% em 2020. A grande questão será quantos trimestres serão necessários para voltar aos níveis de atividade pré-pandemia, especialmente em sectores ligados ao turismo e restauração, e qual nível de incumprimento e falências que esta crise irá despoletar a 12 ou 18 meses.

Pela primeira vez em muitos anos, eu diria que a relação risco retorno é muito limitada nas principais classes de ativos, com a distorção provocada pela intervenção dos bancos centrais a tornar o panorama ainda mais desafiante. Para o próximo semestre (curto prazo), eu diria que as obrigações poderão ser a classe mais interessante apesar de as taxas de juro estarem em níveis historicamente baixos. Com os estímulos monetários e fiscais em níveis muito elevados e a levarem a um enorme aumento da dívida soberana, é expectável que as taxas de juros possam vir a baixar ainda mais. Quanto ao mercado acionista, é muito difícil de responder. Do ponto de vista fundamental, o mercado está muito caro (P/E dos últimos 12 meses do S&P ronda as 21x vs uma média histórica de 15x) e deveria corrigir, mas o nível de estímulos tem aumentado tanto a liquidez, que tudo é possível no curto prazo. No mercado de matérias-primas, o outlook é negativo, com exceção dos metais preciosos. Quanto ao mercado imobiliário, depende o país e do sector. Eu diria que as reduzidas taxas de juro deverão oferecer algum suporte a este mercado, mas tudo o que tenha a ver com retalho e imobiliário comercial irá enfrentar sérios desafios no curto prazo.

Após a crise de liquidez é importante monitorar os efeitos ao nível da solvabilidade. Uma parte importante dos estímulos (ex: moratórias de crédito, lay-off, etc) irão desaparecer nos próximos meses. É muito importante estar investido em empresas com balanços robustos, com liquidez e com modelos de negócios flexíveis que se possam adaptar ao panorama pós-pandemia.

Os fundos para o segundo semestre

Obrigações: Legg Mason Western Asset Macro Opportunities Bond Fund

Ações: Seilern World Growth

Mistos: JPM Global Balanced Fund

Alternativo: Nordea Alpha 10 MA

Estes são alguns exemplos de fundos com uma relação risco/retorno interessante e com um bom histórico de performance. Em regra, têm mandatos flexíveis e são pouco condicionados pelo ambiente de taxa de juro. No caso do fundo da Legg Mason e da Nordea, têm a vantagem adicional de não terem benchmark, preferindo focar-se na obtenção de retorno absoluto.

 Temas de investimento

Dado os riscos latentes de aumento dos níveis de incumprimento, os temas relacionados com crédito são especialmente relevantes nesta fase. A probabilidade de downgrades é enorme e há que evitar “armadilhas” nas carteiras a todo o custo, pelo que devemos estar muito focados em risco de crédito.

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