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BCE aperta o cerco à Grécia


O Banco Central Europeu (BCE) parece estar a apertar o cerco à Grécia, ao considerar a alteração das regras de colateral que os bancos gregos têm para com o seu próprio banco central, diminuindo em 50% o valor atribuído ao colateral dado como garantia do empréstimo. Isto deixa no ar a ideia de que se pode aumentar ainda mais essa percentagem caso as negociações não cheguem a bom porto rapidamente.

Se esta nova regra for posta em prática e com a fuga de depósitos bancários, que desde as recentes eleições no país atinge os 27.000 milhões de Euros (perto de 15% do PIB), os bancos gregos poderão nem sequer ter ativos suficientes para dar como garantia e para aceder a liquidez.

O Banco da Grécia detém um buffer de 3.000 milhões de Euros em reservas para colmatar qualquer corrida aos bancos (ainda mais pronunciada do que aquela que ocorreu até agora), mas o cenário torna-se cada vez mais difícil para a banca helénica, que nos últimos três meses tem sido forçada a pedir dinheiro emprestado a curto prazo e com uma taxa de juro mais elevada ao seu banco Central, em vez de recorrerem ao BCE como a restante banca europeia.

O Departamento de Supervisão Bancária do BCE tem nos últimos dias entrado em choque com o Conselho de Governadores ao afirmar que os bancos gregos deixaram de ser solventes, em contraponto com os Governadores que continuam a autorizar a liquidez de emergência ao Banco da Grécia.
Esta divergência faz pensar sobre a utilidade da supervisão bancária dos bancos com risco sistémico ter passado para o BCE.

Com a supervisão do BCE, o Banco da Grécia assume a responsabilidade sobre o crédito que dá à banca, e esta descida do valor do colateral exigido para aceder a liquidez, serve para que não se repita o que aconteceu no Chipre, onde o Banco Central inflacionou o valor dos colaterais para permitir aos bancos cipriotas que pedissem mais fundos.

Veremos como corre hoje (dia 23 de abril) a reunião entre Tsipras e Merkel na antecâmara da reunião do Eurogrupo, que decorre amanhã em Riga.

Em termos macroeconómicos na Europa, nem o arranque do QE do BCE nem a descida verificada na cotação do Euro têm, para já, impacto positivo no crescimento. Uma taxa de expansão mais fraca que o esperado no sector privado da Zona Euro decepciona o mercado face às elevadas expectativas geradas pela flexibilização monetária do BCE, apesar de ser ainda cedo para se tirarem conclusões sobre a eficácia das medidas colocadas em prática. Ambos os PMI se mantiveram acima dos 50 (nível que separa a expansão da contração), mas ambos desceram abaixo das expectativas dos analistas.

Na Suíça, o SNB anunciou o alargamento do número de grupos sujeitos a taxas negativas por manterem dinheiro aplicado (como por exemplo os fundos de pensões), começando a partir de agora a taxar em 0.75% os depósitos acima dos 10 milhões de Francos Suíços. Esta medida reflete a preocupação da autoridade monetária suíça em relação à cotação do CHF no mercado cambial, tentando assim desencorajar os investidores em manter a moeda nas suas carteiras de investimento.

Como consequência imediata, o EUR/CHF subiu de 1.0260 para 1.0420

Dando um salto ao outro lado do mundo a economia chinesa, que passa por uma fase de reorganização, demonstrou novamente um enfraquecimento, tendo crescido somente 7% durante o primeiro trimestre de 2015, o nível mais baixo desde 2009. A economia chinesa procura, neste momento, uma nova orientação em direção ao incremento do consumo interno e deixando assim de estar tão dependente de terceiros para gerar crescimento.

Uma das preocupações dos decisores é o de atenuar o impacto de uma expansão mais contida e o Banco Central está a agir em conformidade, baixando taxas de juro e prometendo ser rápido a descer ainda mais, caso ocorra uma descida de salários ou um aumento do desemprego.

(imagem: ultreia, Flickr, Creative Commons)