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BBVA acredita que a economia portuguesa vai continuar a crescer até 2018


Estima-se que Portugal irá experimentar um aumento do crescimento económico durante este e o próximo ano. As informações são disponibilizadas pelo BBVA Research, numa nota de análise publicada esta quinta-feira. Segundos esses dados, prevê-se uma estabilização do crescimento do PIB durante o segundo trimestre de 2017, em cerca de 0,5% face ao trimestre anterior (valor calculado sobre dados Corrigidos de Variação Sazonal e Calendário – CVCE). [Gráfico 2]

Esta é uma estimativa que a equipa do BBVA acredita ser “resultante da continuidade do crescimento do consumo privado e da contribuição positiva, tanto do setor da construção como do turismo", apesar "de um comportamento menos positivo das exportações de bens e do aumento do crescimento das importações”.

Face ao bom comportamento do primeiro trimestre de 2017 e à manutenção de condições que apoiarão a continuação da recuperação, o BBVA crê que o PIB português cresça para os 2,6% em 2017 e para os 2,3% em 2018 (acima do 1,7% previsto anteriormente para os dois anos).

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A recente evolução dos preços do petróleo é mais um dos fatores que aponta para uma média anual abaixo do esperado há 3 meses e 40% abaixo dos níveis de 2014. Segundo o BBVA, “tudo isto deveria beneficiar a economia portuguesa, ainda mais porque a queda nos preços se deve a uma maior oferta no mercado dos combustíveis, mais do que a uma diminuição da procura a nível mundial”.

A instituição acredita que “a conjuntura internacional melhora graças à aceleração do crescimento mundial". Dizem ainda "que a boa situação do comércio mundial e as previsões de crescimento positivas para a Europa e Espanha, recentemente revistas em alta, continuarão a apoiar as vendas ao exterior de bens e serviços portugueses”.

Tanto a evolução da atividade na zona euro como as perspetivas relativas à inflação confirmam a expectativa do BBVA de que as taxas de juro de referência continuarão em mínimos históricos durante os próximos meses. Em qualquer caso, depois de eliminada a probabilidade de um cenário de deflação, o banco espera que “o BCE comece a retirar gradualmente os estímulos atuais a partir de 2018. Esta manutenção de condições de financiamento fáceis, deveria apoiar a continuidade do processo de desalavancagem dos setores público e privado, assim como um maior acesso para a procura solvente”.

O consumo ainda não mostra sinais de esgotamento

Os dados relativos a abril e a maio voltaram a mostrar uma aceleração do crescimento, registando, em média, aumentos próximos dos 4,7% face ao ano anterior. Isto depois de um período de moderação das vendas a retalho no primeiro trimestre do ano (3,0% face ao ano anterior).

O indicador coincidente de consumo privado manteve um crescimento linear e contínuo, registando 2,7% face ao ano anterior em abril e maio, uma subida após os 2,5% registados no primeiro trimestre do ano. Também a confiança do consumidor aumentou, alcançando o seu nível mais alto. [Gráfico 3] Contrariamente, o investimento está longe de mostrar algum sinal de recuperação.

Após os fortes aumentos registados no primeiro trimestre do ano (com uma média alcançada de quase 50% face ao ano anterior, entre janeiro e março), o crédito à habitação desacelerou, embora ainda se tenha mantido um crescimento acima dos 30% face ao ano anterior em abril.

O setor das exportações/importações

Depois do bom comportamento demonstrado pelo setor das exportações no início do ano, os dados relativos ao segundo trimestre acabaram por corrigir uma parte desse avanço. Em abril, as exportações mantiveram-se praticamente estáveis em relação ao mesmo mês do ano anterior, embora tenham recuperado a tendência de crescimento em maio (15,4% face ao ano anterior).

Face a este auge das importações, o setor das exportações foi compensado com boas evoluções (11,4% face ao ano anterior, em abril e 22,4% face ao ano anterior em maio).

A criação de emprego continua

Depois do primeiro trimestre de 2017 ter sido bastante sorridente para o emprego (com um crescimento mensal médio de 1,1% face ao ano anterior), este voltou a crescer no mês de abril (1,3% face ao ano anterior) e em maio (1,1% face ao ano anterior). Em termos mensais, estas evoluções representam um crescimento de 0,3% em abril, face ao mês anterior e uma queda de 0,1% em maio, face ao mês de abril. Quanto ao número de pessoas empregadas, manteve-se acima dos 4,6 milhões, o que se traduz numa ligeira recuperação superior a 50% face aos empregos liquidados entre 2008 e 2012 (o mínimo dos últimos anos). A taxa de desemprego desceu 4 décimas face ao mês de março, situando-se nos 9,4% em maio.

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