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BBVA AM: "A dívida soberana dos países core vai continuar pressionada pela política menos acomodatícia dos Bancos Centrais"


O ano de 2019 irá iniciar-se sob a égide do ruído político e será muito difícil convencer os investidores de que a economia sem estar exuberante disfruta dum estado de saúde bastante aceitável. De facto, a ascensão do populismo, o fim do multilateralismo, o aumento das desigualdades económicas, materializaram-se em obstáculos ao crescimento económico global. 

Nos EUA esperamos uma moderação no crescimento derivado sobretudo de condições financeiras mais exigentes, menor impulso fiscal e deterioração da procura externa. O consumo privado permanecerá forte suportado por um mercado laboral bastante apertado. Provavelmente será de ter em consideração uma taxa de crescimento algo inferior a 2,5%.

Na Zona euro o cenário será bastante semelhante com o desaceleramento da economia a convergir para o PIB potencial (aprox. 1,5%), com a diferença de que a componente do comércio externo terá um impacto substancialmente mais severo na economia da região, em particular na ‘máquina’ exportadora alemã.

Na China a guerra comercial constitui o principal risco para o ano que se avizinha. O impacto no crescimento do PIB das tarifas anunciadas pelo EUA (-0,6% estimado) só será parcialmente compensado por políticas do governo para impulsionar a procura interna e pela depreciação do yuan, uma vez que não será do interesse das autoridades aumentar excessivamente o nível de alavancagem do país.

Os países emergentes poderão estar menos pressionados por um dólar forte fruto de uma Reserva Federal mais moderada na aferição dos riscos inflacionistas. Países como o Brasil, que iniciam um novo ciclo político, poderão ter alguma capacidade de executar reformas estruturais, que contribuam para o aumento do potencial de crescimento.

Num ano que ainda será de expansão económica, mas marcado por ritmos de crescimento diferenciados, convulsões políticas e a gradual retirada de liquidez do sistema, obrigará os investidores a serem bastante criteriosos na selecção de ativos dado que a descorrelação entre os mesmos irá aumentar.

A dívida soberana dos países core vai continuar pressionada pela política menos acomodatícia dos Bancos Centrais, ainda que nos EUA, fruto do desaceleramento económico, os juros a 10 anos podem permanecer estáveis. Na Europa a subida da taxa de inflação poderá conduzir os yields para níveis ligeiramente acima dos atuais.

No crédito, com os fortes alargamentos dos spreads dos últimos meses, as valorizações desta classe de ativos encontra-se ligeiramente acima do nível de equilíbrio, tanto nos EUA como na Europa. Algumas oportunidades em investment grade são opções a considerar, no entanto a menor liquidez no mercado obriga a uma maior monitorização.

Em ações, por agora, mantemos alguma preferência por mercados desenvolvidos. Preferimos value face a growth em especial nos EUA e Europa, dado que as métricas financeiras estão atractivas e os resultados destas companhias permanecem sólidos. No entanto, para os investidores mais afoitos relembramos que a grande história de crescimento permanece nos mercados emergentes e que depois das últimas correcções as companhias destes quadrantes estão a transacionar em mínimos históricos.

Reiteramos a nossa recomendação no fundo do BBVA Multi-Asset Moderate que é um fundo de âmbito global e que se enquadra bastante bem neste novo entorno de menor correlação entre diferentes tipos de ativos.

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