Banco Best: "O grande desafio atual parece-nos vir dos investidores mais conservadores"


(Perspetivas para 2019, traçadas por Rui Castro Pacheco, diretor adjunto do Banco Best)

1 - O que esperam de cada uma das principais economias (EUA, Europa, China Japão) no ano de 2019?

Os EUA devem continuar a ser uma das economias mais robustas com um crescimento do PIB na casa dos 2,5%, um pouco inferior a este ano. O consumo continuará suportado pelo baixo nível de desemprego e recuperação dos salários e a FED deverá concluir a subida das taxas de juro, mantendo contudo as taxas de juro reais em níveis historicamente baixos.

No que respeita à Zona Euro, 2019 deverá ser o 6º ano consecutivo de crescimento, com valores um pouco acima de 1,5%. A procura doméstica continua a suportar o crescimento, refletindo a diminuição da taxa de desemprego e a ligeira recuperação dos salários. Já o investimento continua a beneficiar de condições financeiras favoráveis, mesmo assumindo a normalização gradual da política monetária ao longo do próximo ano. As principais condicionantes podem ser questões políticas como o Brexit, a Itália e as próximas eleições para o Parlamento Europeu.

Quanto à China um dos principais motivos de preocupação reside numa eventual desaceleração económica em 2019. Os dados revelam que o crescimento da segunda maior economia do mundo deve abrandar no último trimestre deste ano. O crescimento do crédito tem vindo a abrandar, diminuindo o crescimento da procura interna, ao mesmo tempo que o endividamento tem aumentado bastante. Uma das condicionantes será o desenrolar da guerra comercial com os EUA.

O Japão irá continuar a deparar-se com grandes desafios geopolíticos, demográficos e económicos. As tensões com a Coreia do Norte são recorrentes, o país sofre de um processo de envelhecimento populacional acelerado e as empresas japonesas têm demonstrado alguma dificuldade face ao crescimento de conglomerados de outros países asiáticos, nomeadamente chineses e sul-coreanos. Ainda que motivados por uma série de desastres naturais, os últimos dados de crescimento são preocupantes.

2 - Quais as classes de ativos melhor posicionadas para enfrentar o novo ano e que perspetivas têm para cada uma delas (obrigações, ações, imobiliário...). 

Acreditamos que o mercado poderá antecipar uma moderação do discurso da Reserva Federal, o que se poderá traduzir num ponto de viragem para uma recuperação quer das obrigações, quer das ações a nível global, com destaque para os mercados emergentes. A concretizar-se, a divida pública norte-americana poderá vir a ganhar um novo appeal junto dos investidores. Por outro lado, os riscos inerentes à multiplicidade de fatores acima referidos e potenciadores de volatilidade aconselha-nos a adotar uma exposição neutral a ações europeias e americanas. Já os mercados emergentes parecem constituir uma oportunidade de investimento a médio prazo decorrente de uma expectável moderação da politica monetária norte-americana. A liquidez continua a ser a posição com maior nível de overweight, atendendo à menor exposição no capítulo das Obrigações Europeias de modo a atenuar o risco da subida das taxas de juro na Zona Euro.

Numa perspetiva de médio e longo prazo continuamos a privilegiar ativos com história de crescimento estrutural como sustentabilidade, disrupção tecnológica e robótica. Outros setores como o farmacêutico, telecomunicações e o da segurança, incluindo tecnológica, também se assumem como opções interessantes de investimento. Já no curto prazo continuamos a dar preferência por opções de investimento mais market neutral e mais conservadoras. Apesar das condicionantes observadas em 2018, é importante realçar a importância da diversificação das carteiras de investimentos e, ao mesmo tempo, a disciplina de investimento. Um ano menos positivo, não deverá implicar uma alteração substancial do investimento a médio e longo prazo.

3 - Que riscos monitorizam por esta altura com maior preocupação e porquê (mercado ou negócio)?

Uma vez que os temas que condicionaram os mercados no final de 2018 poderão continuar presentes em 2019, podemos continuar a assistir a uma volatilidade elevada durante o próximo ano. A economia mundial, apesar da desaceleração esperada, continuará a crescer, assim como os resultados das empresas, após o forte impulso deste ano na componente das empresas americanas via redução dos impostos. Na componente de ações, temos uma visão neutral para os principais mercados: Europa, EUA e Emergentes. Tendo em consideração as últimas expectativas em torno do movimento das taxas de juro nos EUA, recentemente alterámos a posição de Underweight para Neutral no capítulo da dívida pública americana. Para lá de uma menor expectativa de um movimento mais brusco por parte da FED, entendemos que as obrigações do Tesouro americano poderão funcionar como um refúgio natural em eventuais períodos de maior volatilidade, funcionando deste modo, como um hedging natural nas carteiras diversificadas dos investidores.

Num campo mais político, deveremos manter um olhar sobre as tensões EUA/China e sobre os acontecimentos internos nos vários países da Europa e Reino Unido.

4 - Qual o fundo de investimento (obrigações, ações, misto, alternativo) que recomendam para o ano de 2019 e porquê?

Em obrigações, devido às grandes correções e ao atual potencial, escolheria um fundo de obrigações emergentes, o Amundi Funds II - Emerging Markets Bond (LU0119438611).

Nos fundos de ações, escolho um fundo que procura investir tendo em mente as alterações climáticas e o impacto positivo que pode ter nos seus investimentos, o Nordea 1 - Global Climate and Environment (LU0348927251).

Nos fundos mistos, a escolha recai numa gestão partilhada por duas boutiques muito especializadas nas suas áreas, investimento Value e investimento Event Driven, o Acatis - Gané Value Event (DE000A0X7541).

Nos fundos alternativos escolheria um fundo de ações, que tenha posições longas e curtas de modo a tentar estar neutro face à evolução do mercado, o BlackRock Strategic Funds - European Absolute Return (LU0414665884).

5 - Quais os temas de investimento sobre os quais estão mais "sedentos" de informação por esta altura?

O grande desafio atual parece-nos vir dos investidores mais conservadores e que, por norma, apenas investem em estratégias de obrigações ou mistas com forte componente nas obrigações. Para estes investidores, o desafio da evolução das taxas de juro é considerável, tanto mais que 2018 é um ano bem complicado para este tipo de investimentos e os desafios para 2019 não são inferiores.

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