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Austeridade sim ou não


Se há algum mérito na crise em que vivemos, é o de ter contribuído para o enriquecimento vocabular da população no toca as finanças públicas. Mais importante talvez, a disseminação de alguns conceitos macro-economicos que seguramente contribuíram para algum interesse na matéria. A palavrinha de hoje é "swaps", mas ainda não vou por aí...

Como muito cedo se aprende nestas áreas científicas, as análises "ceteris paribus" são muito perigosas. Isto de manter tudo constante e apenas mexer numa variável é bom para entender causas e efeitos na sua génese, mas péssimo para analisar uma realidade mais complexa. Se a isto somarmos toda a paixão de uma acalorada discussão futebolística, os caos e desinformação estão seguramente instalados.

Austeridade sim ou não, parece ser o tema com que se entretêm políticos e comentadores em infindáveis debates. A resposta não é binária, como aliás não o é em quase todos os casos. Há dois problemas de base a resolver, o da dívida passada e dos défices que sistematicamente se vão acumulando. 

A primeira é simples! Com esta economia estagnada, não conseguiremos nunca paga-la, logo restruturação é inevitável. Qual é o medo? Ficarmos conotados irremediavelmente com a Grécia, Argentina e Islândia. Como se faz? Já se fez, discretamente para não accionar os CDS... Foi já restruturada duas vezes, uma na taxa, outra agora mais recente no prazo! Mas não vai chegar... 

Segunda questão, défices sucessivos. Eles só se conseguirão anular com crescimento económico, mas para tal são necessários dois factores: uma economia fértil para a livre iniciativa e um maior federalismo de políticas de incentivo económico central. A austeridade só faz sentido se enquanto se emagrece a pesada máquina do estado (haverá seguramente que agradecer ao tribunal constitucional!), se criam igualmente condições para uma economia mais desintervencionada e amiga da livre iniciativa, com profundas reformas fiscais e laborais. 

Ora, como estamos numa moeda única, estes desequilíbrios da desvalorização competitiva, a tal queda de custos para aumentar produtividade (infelizmente apenas via salários) não pode funcionar sozinha. Tem de ser complementado por transferências internas, vulgo investimento. Só assim se compensa um sistema de moeda única, que subsidia os exportadores com divisa "artificialmente" fraca e compensa os importadores deficitários de moeda forte com investimento directo. Não são muitos os exemplos sucesso com "pegs" das divisas e apenas Hong Kong com sua enorme flexibilidade tem resistido a uma moeda fixa.

Esperemos que a Europa encontre essa formula ou seguramente a história irá repetir-se...

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