Aumento das maturidades e redução da qualidade de crédito tem sido o caminho para o sector segurador


O ambiente de baixas taxas de juro permanece como um fator com profundas implicações na economia europeia e no sector segurador e dos fundos de pensões europeu, antevendo-se a continuidade, ainda por algum tempo, do cenário atual e dos consequentes impactos negativos, em particular para as empresas de  seguros de Vida e para os fundos de pensões”. Quem o diz é a ASF no relatório de Análise de Riscos do Sector Segurador e dos Fundos de Pensões de julho de 2018, destacando a ainda condicionada oferta de novos seguros financeiros com rendibilidades atrativas e a subsistência de “riscos associados à capacidade de cumprimento futuro das garantias contratuais dos produtos existentes para com os tomadores de seguros, bem como ao financiamento das responsabilidades assumidas pelos fundos de  pensões, que continuarão a pressionar a rendibilidade e solvabilidade dos operadores”.

No que se refere ao comportamento dos operadores nos últimos anos, em resposta ao risco de reinvestimento gerado pelo desalinhamento entre as durações dos ativos e dos passivos, quer ao nível do ramo de Vida, quer ao nível dos fundos de pensões, o regulador do sector segurador e dos fundos de pensões denota que, na generalidade, a procura de uma maior rendibilidade, conjugada com a mitigação do risco de taxa de juro, assentou, principalmente, numa estratégia de aumento das maturidades (durações) dos ativos.

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Além disso, está patente no relatório que algumas empresas e fundos de pensões optaram também por investir em “títulos com qualidade creditícia inferior e/ou em outras classes de ativos com maior grau de risco”. Já no caso das empresas de seguros que se encontram isentas das cargas de capital para os riscos de spread e de concentração, (ainda que, no caso das empresas de seguros a análise exclua as carteiras de ativos afetas a seguros ligados), a maior alteração assentou no reforço da exposição à dívida soberana, sendo que em oito empresas esse aumento excedeu os 5 pontos percentuais. “Em geral, as categorias visadas na redução de peso foram as de dívida privada e de ações e fundos de investimento mobiliário”, comentam.

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No que se refere à duração média da carteira obrigacionista das empresas de seguros em termos agregados, esta registou uma ligeira variação negativa, posicionando-se nos 4,9 anos. “As principais diminuições de peso ocorreram para os intervalos de duração inferior a 1 ano, e entre 7 e 10 anos, permitindo um incremento de 4,6 pontos percentuais na categoria de 5 a 7 anos, que assim se coloca como a mais representativa (26,8%)”, descreve a ASF acrescentando que “combinadamente, as durações inferiores a 7 anos representam 81% da carteira”.

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Relativamente aos fundos de pensões, “a duração média da carteira obrigacionista cifrou-se em 4,8 anos, com a variação mais expressiva a ocorrer na categoria de 7 a 10 anos, onde a redução de peso específico foi de 3,4 pontos percentuais. Em sentido contrário, a classe de durações mais curtas (inferior a 1 ano) expandiu 1,4 pontos percentuais, e a classe de 5-7 anos patenteou um incremento de 1,1 pontos percentuais. No que toca às durações mais longas, refere-se o aumento de 0,9 pontos percentuais no intervalo de 10 a 15 anos”.

Passivos

Na perspetiva dos passivos, a ASF releva no relatório a evolução da curva básica de taxas de juro sem risco, publicada mensalmente pela EIOPA, e que serve de referência para o desconto das provisões técnicas das empresas de seguros, no âmbito do balanço económico, “a qual permite vislumbrar que, no primeiro semestre de 2018, as curvas vêm revelando uma tendência global decrescente, que se repercute negativamente na valorização dos passivos e, consequentemente, na redução dos fundos próprios das empresas”.

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