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Atlântico Europa:"Tensões políticas entre os EUA e a China, estão a contribuir para um medo generalizado de uma guerra comercial sem precedentes"


(Perspetivas para 2019, traçadas pela equipa de mercado de capitais do Atlântico Europa)

1. - O que esperam de cada uma das principais economias (EUA, Europa, China, Japão) no ano de 2019?

O desempenho dos mercados e anúncio dos principais indicadores económicos, ao longo de 2018, sugerem que em 2019 o crescimento económico abrandará, à medida que grande parte das economias mundiais se aproxima duma fase madura do seu crescimento. Expetativas para a evolução da economia global em 2019 apontam para um crescimento de 3,7%, idêntico ao esperado para 2018, segundo a revisão do FMI em julho deste ano, em baixa de 3,9%.

Também a previsão para o crescimento económico da economia Norte-Americana em 2019 sofreu uma revisão em baixa pelo FMI para 2,5% (face a um crescimento esperado para 2018 de 2,9%), perante a implementação de novas tarifas aduaneiras para com a China. Porém, a manutenção de uma taxa de desemprego em valores baixos e uma taxa de juro que verá o fim do plano de subida de taxas de juro da Fed, são fatores otimistas para a economia e que contribuem para reforçar a confiança dos consumidores. A ameaça de uma guerra comercial e a possibilidade de uma subida inesperada da inflação, por outro lado, são fatores de risco que podem trazer alguma pressão para a economia.

Apoiado por um forte mercado de trabalho e um cenário de taxas de juro baixas, é expectável que o crescimento económico da Europa prossiga a tendência evidenciada em 2018, com o FMI a reportar um crescimento esperado de 2,2%. Porém, é necessário ficar de olho em vários fatores disruptores que podem afetar esta previsão, entre os quais o impacto das decisões sobre o Brexit, as negociações sobre o orçamento italiano e (ainda que inesperada) uma eventual antecipação do ECB da normalização de taxas, perante uma taxa de inflação que tem ultrapassado o target de 2% todos os meses desde junho.

A economia chinesa deverá abrandar ainda mais o seu crescimento. Verificando-se a previsão de 6,2%, esta marcaria a taxa de crescimento mais lenta desde 1990, numa fase em que a economia se tenta distanciar de uma indústria pesada e manufatureira exportadora para um modelo de crescimento baseado no consumo doméstico, transição que é também ameaçada pela imposição de eventuais tarifas adicionais por parte dos EUA. As variações na procura chinesa afetam também a perspetiva para o crescimento da economia do Japão, a qual se espera que recupere no 4º trimestre do presente ano, após duas contrações oriundas de reduções no investimento público e consumo privado. Uma evolução positiva dos salários e um incremento na procura doméstica são fatores que poderão dar um impulso à economia em 2019, apoiados por um aumento no investimento público em preparação dos jogos olímpicos de 2020.

A destacar para 2019 duas economias emergentes: Índia e Brasil, como merecedoras de particular atenção. O mercado acionista indiano tem evidenciado uma rápida evolução ao longo dos últimos 10 anos, apoiado por um crescimento do PIB na ordem dos 7-8% e mostrando sinais de acelerar cada vez mais. Já o mercado brasileiro mostra sinais de subvalorização, em termos de análise fundamental, possibilitando oportunidades de investimento muito interessantes e que certamente serão aproveitadas por investidores em 2019.

2. - Quais as classes de ativos melhor posicionadas para enfrentar o novo ano e que perspetivas têm para cada uma delas (obrigações, ações, imobiliário...).

Alterações para posições mais ‘defensivas’ têm sido as palavras de ordem dos investidores nos últimos meses e é expectável que seja esta a tendência para 2019. Porém, é importante beneficiar da volatilidade corrente dos mercados, após longos períodos de estabilidade. Os portfolios vencedores poderão ser aqueles que conseguirem encontrar o mix ideal de exposição aos mercados vs incorporação de ativos market neutral ou com estratégias long-short.

Perspetiva moderamente positiva para ações, aproveitando a correção nos mercados para beneficiar da descida de valorização de algumas empresas (o forward P/E do SP500 baixou para 15,9), identificando oportunidades em empresas undervalued numa fase em que é ainda expectável uma evolução positiva dos resultados e impulsionada pela tendência no ano findo.

Relativamente a obrigações, a nossa visão permanece maioritariamente negativa, face ao baixo nível de taxas de juro, duration elevada e valorizações mais apelativas nos mercados acionistas. Preferência por High Yield e mercados emergentes.

A procura por elementos diversificadores e de elevada flexibilidade, para fazer face a eventuais viragens do mercado, torna aliciantes ativos alternativos de crédito, com baixa correlação com o mercado, incorporáveis em estratégias long-short e de volatilidade reduzida, sendo merecedores de particular atenção.

O preço do petróleo continua fortemente pressionado por fatores geopolíticos e macroeconómicos, entre os quais receios de uma queda na procura mundial e o reforço do compromisso da Arábia do Sul (líder da OPEC) enquanto exportador. Pode constituir uma oportunidade de compra para novos investidores, porém o preço poderá recuperar no início do ano e continuar a ser alvo de alguma volatilidade, entre ameaças de tensões comerciais mundiais.

3. - Que riscos monitorizam por esta altura com maior preocupação e porquê?

Se o risco geopolítico era já alvo de muita preocupação em 2018, para 2019 a preocupação apenas aumenta. Estamos ainda mais perto do deadline para o Brexit, sendo expectável que durante o ano o acordo de saída esteja completamente delineado e com todas as variáveis contabilizadas – ou, em caso de rejeições sucessivas por parte do parlamento Inglês, à incerteza acresce a possibilidade de novas eleições e o receio de um “hard Brexit”. Ainda no contexto europeu, é relevante mencionar a crise entre o governo Italiano e a Comissão Europeia relativamente ao orçamento do estado para 2019, como fonte de alguma ansiedade para os mercados.

Tensões políticas entre os EUA e a China, estão a contribuir para um medo generalizado de uma guerra comercial sem precedentes. Também os anúncios do governo de Donald Trump em matéria de fiscalidade aduaneira são uma constante incerteza e acabam por surtir efeitos nos mercados a nível mundial.

O fim do programa de recompra de ativos do ECB em dezembro de 2018 traz um nível de incerteza tal aos mercados, e em particular ao sector financeiro, que é razoável fazer a distinção entre a primeira e a segunda metade de 2019. O 1º semestre será marcado por uma fase de adaptação dos mercados para a ausência deste instrumento alternativo de política monetária, porém não é esperada uma subida de taxas de juro em 2019 – quanto muito, no último trimestre do ano poderá ser anunciado algum planeamento de longo prazo para normalização das taxas (aliado à saída de Draghi), semelhante ao plano atualmente adoptado pela Fed.

Serão ainda alvo de constante monitorização fatores relacionados com cibersegurança e proteção de dados, no decorrer da nossa atividade em 2019. O desenvolvimento tecnológico e digital não mostra sinais de abrandar, e até gigantes tecnológicas como a Facebook, através das polémicas em que se encontram envolvidas, deixam um apelo claro aos mercados da necessidade de inovação e desenvolvimento não só nestas áreas, mas também em toda a matéria regulamentar e de compliance.

4. - Qual o fundo de investimento (obrigações, ações, misto) que recomendam para o ano de 2019 e porquê?

Destacamos o fundo Vontobel Sustainable Emerging Markets Leaders como eleição para 2019, em linha com uma perspetiva otimista de longo prazo relativamente à evolução dos mercados emergentes. O fundo apresenta um longo histórico e oferece uma exposição aos mercados acionistas de países emergentes, com uma estratégia que prima por identificar empresas com bom corporate governance e elevado potencial de geração de retorno. O fundo apresenta uma rendibilidade anualizada de 6% a 5 anos e tem associado um nível de risco elevado (6 em 7).

 5. -  Quais os temas de investimento sobre os quais estão mais "sedentos" de informação por esta altura?

A temática de investimento ‘dominante’ no mercado e sobre a qual gostaríamos de ver mais em 2019 é sem dúvida ESG Investing (Environmental, Social e Corporate Governance). Mais do que um selo de aprovação, qualquer estratégia de investimento que tenha associada uma análise ESG é merecedora de particular atenção - e como o mercado tem vindo a demonstrar, estratégias bem definidas com raízes em ESG Investing geram bons payouts para os investidores, para além de contribuírem para um mercado de capitais mais social e humano.

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