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Será o ouro a cobertura perfeita para uma carteira?


O Brexit provocou uma tormenta nos mercados financeiros que levou os investidores a protegerem as suas carteiras. Um dos ativos que está a atrair mais dinheiro nos últimos dias é o ouro. O preço da onça está nos 1.350 dólares. Subiu quase 100 dólares desde que no passado 23 de junho os britânicos decidiram abandonar a UE e são cada vez mais os especialistas que asseguram que estamos perante o início de um bull market do metal amarelo, que se prolongará no tempo. Uma das casas de investimento que o diz é a Schroders. A entidade detetou uma oportunidade na matéria prima. Considera que estamos a viver o começo de uma tendência positiva de vários anos, devido a uma maior procura por parte dos investidores. “Esta procura foi acentuada pela maior incerteza que domina o mercado, as crescentes preocupações sobre a inflação e a volatilidade das divisas”, afirmam Mark Lacey e James Luke. Ambos são os gestores do Schroder ISF Global Gold, um fundo que investe de forma ativa, sem restrições e com um enfoque bottom-up, em empresas vinculadas ao ouro.

Na sua opinião, a oportunidade de investimento que se abriu no metal é evidente. Acreditam que o ouro vai recuperar nos próximos anos e que muitas ações de empresas relacionadas com o metal amarelo se comportarão melhor que o metal em si. “As valorizações das empresas de ouro continuam a descontar um preço do metal abaixo do atual preço spot e, ainda que o mercado continue  a mostrar falta de confiança, há indícios que apontam para uma melhoria dos seus fundamentais”, assinalam. Lacey e Luke consideram que há momentos nos quais é melhor apostar no ouro físico e momentos em que é mais conveniente construir posições através de empresas relacionadas. Hoje estaríamos nesse segundo cenário. “As ações das empresas relacionadas com o ouro registaram, ao longo dos últimos 20 anos, um pior comportamento do que o mineral. Não vemos estas empresas a cotar tão baratas desde finais dos anos 70. Apesar da subida no primeiro semestre do ano, continuam a cotar entre 70% e 80% abaixo dos máximos alcançados há cinco anos”, indicam.

No entanto, a história também demonstra que investir em ouro físico depois de um choque de mercado pode ser muito rentável. A ETF Securities realizou uma análise do comportamento registado pela matéria prima durante os doze meses posteriores ao que no mundo dos mercado se denomina de cisne negro. Em média, a rentabilidade gerada pelo ouro durante o ano seguinte a um choque de mercado foi de 11,8%, em comparação com as perdas de 10,7% das ações, globalmente, o que mostra que o ouro pode ser uma cobertura quase perfeita. No entanto, falamos de uma média. Há períodos em que a cobertura funcionou melhor que outros (ver tabela).

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“Olhando para a história, fica claro porque é que os investidores continuam a considerar o ouro como um ativo refúgio”, indicam. Esta empresa testemunhou em primeira mão o interesse dos investidores por produtos sobre o ouro. Também Ursula Marchioni, diretora de estratégia da iShares para EMEA, revela que na sexta feira, 24 de junho, um dia depois do referendo, o iShares Physical Gold ETC multiplicou por 14 o seu volume médio de negociação de maio (negociaram-se 246 milhões de dólares em comparação com uma média de 15 milhões).

Alguns gestores de produtos multiativos apostaram tradicionalmente no ouro como um elemento essencial nas suas carteiras. É o caso de Matthew McLennan no First Eagle Amundi International, de Klaus Kaldemorgen no DWS Concept Kaldemorgen ou de Suzanne Hutchins, gestora do BNY Mellon Global Return Fund, que destina cerca de 10% da carteira ao metal precioso através de um ETC e de posições em ações de empresas de pequena, média e grande capitalização. No contexto da estratégia de Real Return do BNY Mellon IM, a equipa da Newton considera o metal amarelo como um ativo real que não gera rendimentos, mas que pode ser suscetível de atuar como uma divisa refúgio. “Em geral, considera-se que o ouro não se consome no contexto da atividade económica, mas acumula-se ao longo do tempo sem se degradar, o que lhe outorga a capacidade de atuar como unidade monetária. Num contexto de desvalorização, envelhecimento e volatilidade crescentes do papel moeda, denominar parte de uma carteira num ativo monetário alheio ao atual sistema financeiro baseado no crédito pode ter sentido de um ponto de vista da diversificação”, explica Hutchins.

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