Ativos em fundos de investimento nos fundos de pensões crescem 1,15 mil milhões de euros em 2019


O Relatório de Evolução da Atividade dos Fundos de Pensões divulgado recentemente pela Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) referente ao fecho do último trimestre de 2019 mostra que no exercício o número de fundos de pensões sob gestão passou de 229 para 232, na sequência da constituição de quatro fundos PPR, três fundos abertos de adesão coletiva e individual e da extinção de três fundos de pensões fechados e de um fundo PPR.

Os ativos geridos pelos fundos de pensões representavam, em dezembro de 2019, cerca de 21,8 mil milhões de euros, o que correspondeu a uma subida de 12,1% em relação aos ativos do final de 2018. Esta evolução beneficiou do crescimento de ambas as rubricas globais de fundos de pensões, muito embora os fundos abertos tenham mostrado uma evolução mais positiva, na ordem dos 24,8%, do que os fundos fechados (10,6%). O universo de fundos de pensões PPR cresceu 20,7% no ano. 

Tendo em consideração as contribuições entregues aos fundos e as respetivas pensões pagas, a rentabilidade dos fundos de pensões, face ao final do ano de 2018 foi de 7,6%, comunica a ASF.

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No entanto, destacava recentemente José Marques da Willis Towers Watsonnum artigo de opinião, que num "ano de excelentes rentabilidades e tendo em consideração que a maior parte dos planos de pensões de benefício definido se encontram fechados (as empresas tendem a oferecer agora planos de pensões de contribuição definida aos seus colaboradores), algumas empresas terão ficado surpreendidas pela deterioração no nível de financiamento dos seus fundos de pensões. Esta deterioração deve-se ao facto das taxas de juro de obrigações europeias, que são refletidas na definição das taxas de desconto utilizadas no cálculos das responsabilidades, terem descido significativamente. Uma vez que a maior parte dos fundos de pensões portugueses não têm a duração dos seus ativos financeiros alinhada com a duração das suas responsabilidades, esta redução nas taxas de juro resultou num aumento significativo das responsabilidades, entre 10% e 15% na maior parte dos casos, sem um aumento equivalente nos ativos financeiros (apenas 8.2%). Os fundos de pensões continuam assim a ser uma fonte de volatilidade no balanço de muitas empresas portuguesas". O profissional recomenda no artigo algumas medidas prioritárias para 2020 no contexto dos fundos de pensões. 

Alocação das carteiras

A estrutura da composição das carteiras agregadas não difere de sobremaneira à que se verificava no final do ano de 2018. Destaca-se, no entanto, um aumento do peso dos fundos de investimento - a entidade reguladora não discrimina esta rubrica por classe de ativos - e uma diminuição do peso dos depósitos bancários. Os fundos de investimento representavam, sensivelmente, 6,99 mil milhões de euros nas carteiras, no final de 2019, o que compara com os 5,84 mil milhões de euros de final de 2018, um diferencial de cerca de 1,15 mil milhões de euros. 

A evolução na liquidez evidencia, no entanto, que as carteiras de investimento dos fundos de pensões entraram em 2020 em modo risk-on, o que poderá ter aumentado o impacto potencial da volatilidade de final de fevereiro e março. 

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