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Atenção investidores na bolsa europeia: avizinha-se uma rápida subida do capex


A equipa de ações europeias da Invesco, dirigida por Jeffrey Taylor, elaborou um relatório relativamente ao crescimento económico da zona euro e o seu impacto nas valorizações das ações. Do seu ponto de vista, a novidade é que se começa a registar um aumento da pressão sobre a capacidade de produção, o que pode acelerar o aumento dos preços, algo que já se observa em determinadas partes do ciclo de produção. Para a equipa, um ambiente mais inflacionista com a manutenção do momentum de crescimento pode ser bastante favorável para a parte value do mercado europeu de ações.

“A economia da zona euro não está a mostrar qualquer sinal de fraqueza, com todos os indicadores de atividade a revelarem dados positivos. O mais recente dado foi o índice PMI, que demonstrou que a atividade económica na França, Alemanha e na zona euro está em máximos de há vários anos, acelerando a sua subida e batendo todas as expectativas. A recuperação manteve-se, fundamentalmente, baseada nas taxas de crescimento de produção semelhantes nos sectores manufactureiros e de serviços. Os dados também assinalaram que as empresas da região criam emprego ao ritmo mais elevado dos últimos 17 anos. O bloco de 19 países viu o desemprego cair para níveis recorde e disfruta de uma melhor expansão sincronizada desde a criação da moeda única”, sublinham.

Os dados que se destacam são, sem dúvida, realmente significativos. Em França, o índice PMI composto e de serviços superou os 60 pontos. O país disfruta do seu melhor impulso de crescimento em mais de seis anos, impulsionado por um ambiente de forte crescimento e com a pressão do presidente Macron para levar a cabo reformas que estimulem ainda mais o crescimento. Além disso, o rácio de criação de emprego é o mais alto desde março de 2001. Na Alemanha, a expansão económica disparou graças ao apoio do sector manufactureiro. O índice PMI manufactureiro subiu quase dois pontos até aos 62,5. As entradas de novos pedidos revelam o seu maior crescimento em seis anos e meio, o que levou a que as empresas contratassem um dos rácios mais elevados dos últimos 20 anos da história do índice.

Sabendo tudo isto... o que há de novo? Uma das questões mais encorajadoras que se observam neste estudo é a intensa pressão sobre a capacidade da indústria. “A acumulação total de trabalho não completado na zona euro é o mais alto desde julho de 2006. Este aumento da carteira de pedidos está a levar a que as empresas contratem mais e que invistam mais na construção de maior capacidade para cobrir a procura, o que se traduz num maior gasto de capital (ou capex). Ambos os factores impulsionam a procura interna, o que faz com que a recuperação da zona euro seja mais sólida e sustentável”, explicam.

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Segundo a equipa da Invesco, outra consequência da pressão sobre a capacidade é o aumento dos preços. “O estudo IHS Markit Flash mostra que os preços demonstram o crescimento mensal mais alto desde maio de 2011, enquanto que os preços de venda médios para bens e serviços aumentaram na sua maior magnitude desde junho de 2011. À medida que os consumidores e empresas procuram obter bens e serviços, os preços sobem cada vez mais rapidamente”.

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E porque é isto importante? Tal como explicam na entidade, o BCE provavelmente dará as boas-vindas a sinais de uma inflação emergente à medida que se comece a eliminar gradualmente os seus estímulos monetários. “Um ambiente mais reflacionista aliado a um forte crescimento deverá ser bastante favorável para a parte value do mercado de ações. Acreditamos firmemente na possibilidade de que se produza uma rotação sectorial e um movimento de aumento das rentabilidades dos títulos, o que achamos que vai beneficiar as empresas financeiras e outros sectores, enquanto que prejudicará os sectores que mostram um comportamento similar ao das obrigações”, preveem.

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