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Aspetos importantes e menos importantes na hora de investir no Japão


O Japão é um mercado desconhecido no geral. O seu afastamento geográfico e as grandes diferenças sociais e culturais face ao ocidente, faz com que muitos acabem por não perceber a realidade japonesa, ignorando as oportunidades que o país do sol nascente tem para oferecer. Parece evidente que a melhor opção para aqueles que pretendem investir no Japão, seja delegar a um gestor que tenha os pés bem assentes na terra, com um conhecimento vasto sobre as empresas e que saiba sempre discernir entre o que é mais e menos importante.

Um deles pode perfeitamente ser Kwok Chern Yeh, gestor do Aberdeen Global – Japanese Equity. Chern Yeh explicou à Funds People alguns aspetos que – no seu entender – são importantes ter em conta na hora de investir no Japão e outros que não. O primeiro faz referência à situação política que o país vive.

“O Japão atravessa uma época política muito boa. Apesar da popularidade de Shinzo Abe ter caído ultimamente de forma significativa, o país continua a viver uma certa estabilidade que dura já há seis anos. Antes, o habitual era observar governos instáveis e crises políticas. Este período tão prolongado de estabilidade política é uma anomalia”, afirma. Contudo, Chern Yeh assegura que, quem pensar que esta é por si só uma razão para investir em ações japonesas, está enganado. “A influência da política sobre a vida das empresas é praticamente nula. Nem mesmo a evolução do yen é um fator que afete significativamente os investimentos”, reconhece.

Chern Yeh salienta que a força demonstrada pela moeda japonesa nos últimos tempos não é algo que lhe tire o sono. “O yen não chegou a níveis preocupantes e, para além disso, com uma Reserva Federal americana a aumentar as taxas, é lógico esperar que desvalorize em relação ao dólar. Também não acredito que uma guerra comercial entre os Estados Unidos e a China vá ter um impacto negativo no Japão. Pelo contrário: calculo que este será neutro ou até positivo. Aquilo que podia afetar as empresas japonesas de uma forma mais clara seria uma queda do comércio global. Isso podia afetar os resultados das empresas japonesas e a cotação de alguns dos valores que tenho em carteira”, afirma.

A carteira do gestor é muito diferente da do índice. Na verdade, apresenta um active share muito elevado, de 84%. “Trata-se de uma carteira muito concentrada, formada por aproximadamente 40 valores, em que as dez primeiras posições representam 45% do total do investimento”, explica. O fundo tem um beta de 0,9. Historicamente, em fases de rally do mercado, ficou atrás do índice. Contudo, em momentos de correção, saiu-se melhor. “Não sei se a bolsa japonesa vai subir ou descer. O nosso objetivo é oferecer aos nossos participantes um rendimento estável, tentando evitar, o melhor possível, a volatilidade do mercado. No passado conseguimos. O fundo comportou-se melhor em fases de correção”.

Este conceito entende-se perfeitamente quando Chern Yeh detalha o tipo de valores de que gosta e nos quais aposta. Define-os como empresas com uma forte tendência defensiva, com balanços fortes, líderes no seu setor, com fundamentais que tendem a melhorar e com equipas diretivas de mentes abertas que se concentrem em alocar os recursos naquelas áreas do negócio que giram uma maior rentabilidade para a empresa. Fá-lo baseando-se em temas que, na sua opinião, têm um trajeto a médio ou longo prazo e que são muito fortes, como por exemplo, a robótica e a tecnologia, nas quais vê como uma tendência transversal que afeta muitos setores.

“A tecnologia, por exemplo, é um tema que atua em três âmbitos: melhora a produtividade, reduz os custos e eleva a qualidade dos produtos que as empresas produzem. Agora existe uma norma muito forte no mundo a favor da eficiência energética. Esta tendência assumirá uma grande relevância a médio prazo. Acerta em cheio em setores como o automóvel, onde, com a revolução dos carros elétricos, os componentes mais importantes não vêm da mecânica, mas sim da eletrónica. O Japão é muito bom em semicondutores. Existem empresas, como a Renesas, líderes nesta área, tendo pouca concorreência e com um modelo de negócio único. Este é o tipo de empresas que procuramos para a nossa carteira”, revela o gestor.

Outro exemplo é a Shin-Etsu Chemical, empresa que fabrica componentes eletrónicos de telecomunicações e que, atualmente, é a primeira posição do fundo (6%). “Existem apenas três outras empresas no mundo que fazem algo parecido. Os produtos que fabrica estão incorporados em todos os telemóveis do mundo”, sublinha. Chern Yeh também não esquece aquelas empresas que apostaram em reestruturar o seu negócio e correu bem, como é o caso da Yamaha. “Antes não prestávamos atenção àquelas empresas que estavam em processo de redefinição do seu negócio, mas quando se vê que as direções colocam o dinheiro no sítio certo, deteta-se a oportunidade”. Estes são os aspetos que, no seu entender, são realmente importantes na hora de investir no Japão.

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