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As várias faces da moeda da “Estagnação secular”


A estagnação secular, ou seja a ideia de que o crescimento potencial é agora permanentemente baixo, é um dos conceitos que ganhou nova forma durante os primeiros passos da última crise financeira. Mas até que ponto estará esta ideia a banalizar-se e tornar-se enganadora?

Este é o mais recente tópico sobre o qual se debruçam Joshua MacCallum e Gianluca Moretti, economistas da UBS Global Asset Management, na última edição do documento ‘Economist Insights’.  “Não existe uma única definição deste termo, mas a estagnação secular é usualmente utilizada para se referir a uma condição de negligência ou de não crescimento causada por uma permanente queda da taxa de crescimento potencial da economia”, começam por elucidar os especialistas, referindo que este conceito passou a ser ‘desculpa’ para questões como os atuais baixos níveis das taxas de juro.

Conceitos importantes

“Usando todos os recursos disponíveis, quanto pode uma economia produzir?”. Esta é a pergunta que é importante colocar, e cujo resultado está dependente tanto dos recursos disponíveis, como da eficácia com que são usados. Os dois economistas da entidade indicam que o capital físico “é um recurso muito fácil de observar”, mas, por outro lado, “o potencial de emprego relativo a esse trabalho é muito mais difícil de estimar”. Uma última componente a considerar, dizem, é a Produtividade Total de Factores, que basicamente se resume a tudo o que “não pode ser explicado pelo capital ou pelo potencial de emprego”.

São três os factores que podem afectar o potencial de emprego. Em primeiro lugar referem a demografia, que “determina a idade ativa da população”; em segundo, a taxa de participação da força de trabalho e, por último, a “taxa de desemprego estrutural”.

Conceitos esclarecidos, Joshua MacCallum e Gianluca Moretti avançam para algumas ideias interessantes que o último ‘World Economic Outlook’ do FMI deu a conhecer. Sublinham que um dos aspectos mais relevantes da pesquisa feita pela instituição demonstra que “os potenciais resultados nos mercados desenvolvidos têm, na verdade, vindo a acelerar desde o final da crise financeira”. “Os gastos de capital começaram a recuperar, embora lentamente, mas a produtividade total de factores está agora registar ganhos semelhantes aos de meados dos anos 2000”, sublinham.

Estagnação secular? Talvez cíclica

Para os acérrimos defensores da “estagnação secular”, existem portanto provas de que este conceito, tal como é apresentando regularmente, pode cair por terra.  “Tendo em conta esta taxa, o crescimento potencial irá voltar aos níveis pré-crise, rapidamente, durante os próximos quatro anos. Se assim for, a estagnação será com certeza cíclica em vez de estrutural”, concluem os dois economistas da UBS Global AM.

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