As sete diferenças entre um fundo indexado e um ETF


A gestão passiva está a conquistar terreno à gestão ativa na Europa. E fá-lo através de fundos indexados e ETFs, cuja presença nas carteiras tem aumentado significativamente nos últimos anos. Embora na Europa o peso dos fundos indexados seja maior do que representam os fundos cotados, na Península Ibérica o fenómeno da gestão passiva está-se a canalizar através dos ETFs. Apesar de aparentemente ambos os produtos serem equivalentes, na realidade não o são. Estes fundos apresentam diferenças muito significativas que os investidores nem sempre estão conscientes, o que os leva a cometer erros na hora de eleger o veículo mais apropriado.

  1. Em primeiro lugar, os fundos indexados tendem a ter um TER menor e um maior custo de compra-venda para o investidor que os ETFs, que contam com um TER maior e um menor custo de entrada e saída. Este menor custo de compra-venda dos fundos cotados resulta do facto de cotarem no mercado secundário, podendo-se fazer intercâmbio de participações existentes dos ETFs com spreads menores do que os dos subjacentes, dado que o custo de criação das unidades que constituem o veículo tem-se diluído.
  1. Adicionalmente, existe uma comunidade de market makers que cotam os ETFs e que têm um inventário que podem colocar à disposição dos investidores um a um custo mais reduzido do que o cabaz de ações ou obrigações subjacentes. No processo de compra-venda, no caso dos ETFs o investidor interage com os broker, enquanto que os fundos indexados fazem-no com a gestora, o qual representa uma segunda distinção. Esta é a segunda grande diferença.
  1. Seguindo a estrutura do produto, a terceira grande diferença é que os fundos indexados, tal como os fundos tradicionais, contam com classes. Geralmente, os ETFs não as têm, embora alguns fornecedores estejam a começar a oferecer diferentes classes para os fundos cotados. Estas contribuiem para a liquidez, o qual favorece a redução de diferenciais, o incremento na negociação no mercado secundário, e portanto, resulta em benefícios para o participante. É uma tendência da indústria. A respeito da liquidez, convém recordar que o ETF opera intra-diariamente, enquanto que o fundo indexado tem um valor líquido diário, um único preço e uma hora limite, como qualquer fundo de investimento tradicional.
  1. A quarta diferença evidente na estrutura é que nos ETFs não existem retrocessões, enquanto que no fundo indexado podem existir.
  1. Os valores mínimos contratuais correspondem à quinta grande diferença de ambos os veículos. Com os ETFs o investidor pode investir pelo valor de uma participação, enquanto que no caso dos fundos indexados existem volumes mínimos contratuais.
  1. No que diz respeito à exposição subjacente também existem aspetos distintos entre ambas as tipologias de produtos. Em geral, os ETFs oferecem uma maior capilaridade que os fundos indexados, definidos para posições estratégicas sobre índices mais genéricos. Em obrigações, por exemplo, é pouco frequente verem-se fundos indexados para um período específico da curva, enquanto que no caso dos ETFs é algo habitual.
  1. A transparência nos subjacentes é a última grande diferença. O ETF permite ao investidor ter acesso à carteira diariamente, enquanto que com os fundos indexados costuma ser mensal. No entanto, dado que os indexados, de igual modo que os ETFs, podem ser uma réplica física total, os investidores já sabem logo que a configuração da carteira é a mesma que a do índice. Isso não significa que a rentabilidade final que vão oferecer a ambos os produtos seja a mesma. Se se analisar a carteira de um ETF sobre o S&P 500 e um fundo indexado sobre o mesmo índice observa-se que ambas são praticamente iguais, embora na hora de geri-las sejam detalhes que fazem com que possam existir diferenças que afetem o retorno.

Como eleger o produto mais adequado?

Estas diferenças entre ambos os produtos fazem com que o investidor tenha que fazer um esforço importante na hora de identificar que veículo se adapta melhor às suas necessidades. O mais importante é o custo total de manutenção e os fatores que o determinam. De acordo com Aitor Jauregui, o responsável pelo Desenvolvimento do Negócio da BlackRock na Ibéria (empresa que comercializa ambos os produtos), para fazê-lo a chave encontra-se em dois fatores: o custo e o horizonte temporal. “É fundamental analisar o custo total de manutenção antes de fazer o investimento. Para uma exposição estrutural a longo prazo o fundo indexado pode ser mais eficiente, enquanto que para as posições táticas ou operacionais intra-diárias pode ser mais apropriado o ETF”.

É uma conclusão a que se chega depois de um estudo detalhado sobre vários fatores: o custo que de manutenção, os ganhos do veículo pelo empréstimo de títulos, o tratamento fiscal mais favorável na cobrança de dividendos, etc.

“O primeiro que tem a fazer o investidor que opte pela gestão passiva é saber qual é o índice que quer replicar. No caso de dispor de ambos os produtos, o passo seguinte é fixar-se em quais são as limitações regulatórias de cada um (fiscalidade, o ser ou não um veículo UCITS, o registo na CMVM), com o objetivo de eleger aquele que melhor se adapta à sua política de investimento. Se ambos estiverem "aptos", é o momento de prestar atenção às restrições operacionais (preço interno de ter que operar em secundário ou em NAV, a liquidez de cada um). Uma vez ultrapassada essa barreira, o investidor deveria centrar-se em que veículo replica melhor o índice (análise do tracking error, tracking difference, custos de entrada e saída, qual apresenta mais receitas pelo empréstimo de títulos, qual retém menos impostos no custo de dividendos…)”, explica.

Fazendo o resumo da cobrança e das receitas que gera o produto para cada conceito poderá determinar que veículo resulta mais convenientemente em cada momento.

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