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As saudosas OPA’s do BCP e da Sonae!...


Quantos accionistas do BPI e da PT não estarão a olhar para o passado (2006 e 2007) e a recordar eventualmente com bastante mágoa, o desfecho negativo da OPA do BCP sobre o BPI e da OPA da Sonae sobre a Portugal Telecom? Provavelmente bastantes!

A grande luta que na altura o conselho de administração das empresas “opadas” realizou para que as operações fossem um fracasso será que compensou, tendo em conta o momento actual de ambas as empresas, BPI e Portugal Telecom?

Consideremos vários factores de análise: a valorização e o retorno para os accionistas, a preponderância e defesa dos centros de decisão nacionais, o possível futuro das empresas em bolsa e o contributo para a economia nacional.

Quanto ao primeiro factor penso que é evidente que se as OPA’s tivessem resultado, teria sido melhor para os accionistas, especialmente para os pequenos e para aqueles que não tiveram o poder de gestão desde então. Basta comparar o preço oferecido pelas empresas na altura (7 euros no caso do BPI e 10,5 euros no caso da PT) com os dividendos recebidos desde então, com os aumentos do capital social efectuados entretanto e com a cotação actual das acções, para facilmente se concluir que a rendibilidade teria sido significativamente maior se as OPA’s tivessem sido um sucesso.

Relativamente à preponderância e defesa dos centros de decisão nacionais, tema tão acarinhado por muitos que não desejaram na altura o sucesso das OPA’s, referidas,hoje vemos que a PT Portugal pertence a um grupo francês e o BPI prepara-se para ser ainda mais catalão (espanhol). A vida tem destas coisas...menos duas empresas no universo dos centros de decisão nacionais.

Quanto ao futuro das duas empresas em bolsa, temos hoje uma PT SGPS que vale cerca de 0,70 euros, que detém uma participação numa empresa brasileira de telecomunicações muito endividada e atrasada tecnologicamente e detém um investimento desastroso com pouco ou nenhum nível de recuperação (digamos a fundo perdido).

Finalmente, o contributo que as empresas tiveram e vão ter na economia nacional. Talvez seja o factor em que o cenário não é tão negativo como os anteriores. Se mantiverem a sede em Portugal e continuarem a investir, provavelmente irão continuar a contribuir para a economia portuguesa.

Chorar sobre o leite derramado não inverte os acontecimentos. A única coisa que nos pode ser útil da sua lembrança é não voltar a cometer os mesmos erros.

Os mercados não têm memória mas nestes dois casos, será bom nunca nos esquecermos deles!  

(Imagem: Cris Romeiro, Flickr, Creative Commons)