As razões por detrás da inflação e porque é positiva para o sector financeiro


“Há uma bolha que está prestes a rebentar, mas essa bolha não está no mercado de ações”, declaram James Sym e James Rutland, os dois James que comandam o fundo Schroder ISF European Alpha Focus, da casa de investimento britânica. Onde está a bolha, então? A opinião dos profissionais aponta para que essa bolha esteja no mercado de obrigações. Os gestores veem a inflação como um grande risco para as obrigações nos próximos tempos. No entanto acreditam que é um driver de performance nas ações.

“As obrigações estão claramente sobreavaliadas. Os investidores têm demasiada exposição à classe de ativos e agarram-se a argumentos que justificam essas valorizações absurdas”, explica James Sym. Apesar de especialistas em ações, os profissionais da Schroders ilustram esta convicção com o comportamento histórico das yields nos EUA, onde é evidente o longo período de subida das yields desde a década de 40 até ao pico de 1981, altura na qual a tendência se inverteu, iniciando um bull market que dura até aos dias de hoje. “Ninguém sabe o que fazer quando o mercado reverter e as yields começarem a subir consistentemente”, alerta James Sym. 

No entanto, o profissional esclarece: “Não estou com isto a afirmar que os mercados de ações estão particularmente baratos, mas pelo menos neles conseguimos encontrar valor”.

Inflação: porquê?

James Sym destaca as três principais razões pelas quais vê um ressurgir das pressões inflacionistas:

1. O preço do petróleo. “Já não é um tema controverso, toda a gente acredita que os preços do petróleo vão subir e ter um impacto na inflação. Mas acreditamos, não só nestes efeitos pontuais, mas também numa subida persistente da inflação para os 2%”, esclarece.

2. A indústria está a regressar à normalidade. “Nós temos centenas de reuniões por ano, e todas as empresas nos dizem que os salários estão a subir e o excesso de capacidade a recuar pela primeira vez em muitos anos, e isso cria pressões inflacionistas”, explica.

3. A Europa está saudável. “A Europa não é o Japão em 1989. O desemprego acabou de atravessar a fronteira da sua média de longo prazo na Europa”, finaliza, remetendo novamente para a saúde da indústria e para a utilização da capacidade.

O sector financeiro e a inflação

Por sua vez, James Rutland fala da estratégia de ações europeias da Schroders, o Schroder ISF European Alpha Focus. Apresenta um fundo concentrado de ações europeias, com posições entre as 30 e 35 e uma abordagem pragmática adequada ao ciclo económico. Concretamente, esta abordagem foca na análise da sensibilidade dos resultados das empresas ao ciclo económico e dos indicadores antecedentes que “permitem aferir onde nos encontramos no ciclo, adequando o estilo e o beta do fundo a cada fase no ciclo”.

Num contexto inflacionário, como descreveu ao pormenor James Sym, James Rutland destaca a aposta no sector financeiro como um dos que mais beneficia com essa conjuntura. Num ranking com 480 fundos do mesmo segmento, o produto de investimento da Schroders é o quarto com maior exposição ao segmento, fatia que ocupa quase um terço do portefólio. “Podemos debater a margem financeira, a política de dividendos ou a qualidade da gestão, mas o que claramente interessa e tem impacto no sector é a direção das yields das obrigações”, explana James Rutland. O profissional aponta então a correlação do sector bancário com a evolução as yields no mercado obrigacionista, yields essas que “estão a subir e têm muita margem para o fazer”.

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