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Gestoras internacionais reagem à estreia de Jerome Powell enquanto presidente da Fed


Os mercados anteciparam e assim foi: Jerome Powell estreou-se como presidente da Reserva Federal acionando o botão da subida de taxas. É mais quarto de ponto, até aos 1,75%, e foi aprovada por unanimidade por todos os membros do Federal Open Market Committee (FOMC). O comunicado de imprensa introduziu algumas nuances, como uma alteração da linguagem, ao indicar que “a atividade económica crescerá a uma taxa moderada a médio prazo” (no comunicado anterior lia-se “um crescimento sólido). Destaca-se também que a Fed espera que a inflação suba “nos próximos meses”, para alcançar o objetivo dos 2% no médio prazo. Além disto, o banco central revelou que prevê que os riscos de curto prazo se mantenham equilibrados, “mas o Comité está a monitorizar de perto o desenvolvimento da inflação”.

Nesta reunião estava também incluída uma revisão das previsões, e a Fed cumpriu com o previsto ao melhorar estas perspetivas: prevê um crescimento do PIB de 2,7% em 2018, face aos 2,5% de dezembro, e que, em 2019, o PIB alcance os 2,4%, face aos 2,1% anteriores. A previsão para 2020 mantém-se nos 2%. A Fed espera, ainda, uma taxa de inflação ligeiramente superior: mantém a sua expectativa de 1,9% para 2018, mas aumenta em uma décima a previsão para 2019, até aos 2,1%.

Por fim, o gráfico de pontos permite várias conclusões que, certamente, terão que ser digeridas pelo mercado durante algum tempo. Para começar, existe um empate entre o número de membros do FOMC que coloca a taxa neutral de taxas de juro nos 2,25% para o final do ano (três subidas) e os que esperam que acabe mais perto dos 2,5% (quatro subidas). Mas mais interessante é o que é esperado pelo FOMC para o ano que vem: se até agora tinha assinalado apenas uma subida em 2019, antecipa agora que as taxas poderão terminar nos 3%, isto é, que poderão ocorrer duas ou três subidas no próximo exercício.

A estes dados terão que ser acrescentados alguns comentários de Powell durante a sua primeira conferência de imprensa enquanto presidente da Fed, na qual insistiu que a normalização da política monetária será gradual, e manifestou a sua preocupação com as possíveis consequências da política comercial de Donald Trump. Por todos estes motivos, o gestor da Aberdeen Standard Investments, James Athey, afirma que “o novo presidente da Fed começa realmente onde a sua antecessora começou”.

O gestor afirma que a subida da taxa estava bem sinalizada, e considera mais interessante o facto de que “a Fed esteja a prever uma ronda de subida de taxas ligeiramente mais agressiva do ponto de vista das taxas de juro, estabelecendo-se num nível acima do que estava planeado”. Por estes motivos, o gestor conclui: “O efeito gota-a-gota da forte economia dos Estados Unidos está a levar a uma posição mais otimista por parte da Fed. É provável que faça subir o dólar e que leve a um enfraquecimento das Treasuries”.

Para Andrew Wilson, CEO da Goldman Sachs AM para EMEA e co-responsável da equipa de soluções de obrigações e liquidez, enquanto que a Fed cumpriu com as expectativas ao subir as taxas, “o centro das atenções desta reunião estendeu-se para além das decisões que resultaram da mesma”, tendo em conta a atualização do gráfico de pontos. Segundo Wilson, este gráfico “continua a apontar para três subidas de taxas para este ano”, mas destaca que as autoridades reconheceram que “a previsão económica fortaleceu-se nos últimos meses”. Como tal, afirma que na Goldman Sachs AM continuam a ver margem para existirem quatro subidas de taxas este ano.

“O tom mais otimista da Fed poderá ser simplesmente resultado de um novo estilo de comunicação pela alteração da presidência de Janet Yellen para Jerome Powell, ou poderá estar relacionado com uma maior confiança da Fed devido aos últimos dados económicos (condições do mercado laboral mais robustas e subida da inflação)”, afirma Aaron Anderson, senior vice-president de análise da Fisher Investments. “Mas se tão poucos dados económicos foram suficientes para alterar os planos da Fed desde a última reunião, estes poderão ser facilmente alterados de novo no futuro”, acrescenta.

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