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As oito prioridades da gestão de investimentos para 2017


A Mercer, no seu white paper 2017: Positioning Your Firm For Growth Moving Forward, divulgou oito princípios de gestão de investimentos, pelos quais os gestores de ativos se devem reger para melhor servirem os seus clientes e continuarem competitivos no mercado.

Rui Guerra, partner da Mercer, acredita que “as alterações regulatórias e os avanços tecnológicos estão a alterar o cenário do negócio de Wealth Management”. Desta feita, os gestores de ativos devem olhar para estas alterações como uma oportunidade para “melhorarem as suas ofertas, as suas estratégias e a abordagem aos seus clientes”, destaca.

Neste sentido, a preparação para as alterações regulatórias é, precisamente, o primeiro princípio destacado pela instituição. “Recomenda-se a comunicação de um modelo mais robusto face à concorrência, tendo em conta a proposta de valor de forma a reter e atrair clientes”, pode ler-se no documento. De facto, legislação como, por exemplo, a MiFIID II trará uma pressão adicional aos gestores de ativos, que devem “aproveitar para melhorar e diferenciar o seu negócio”.

O segundo princípio está relacionado o debate entre gestão passiva e gestão ativa. De acordo com a instituição, o ambiente de valorização dos mercados e de taxas de juro com os valores mais baixos de sempre levou a uma redução da procura da gestão passiva, e a um aumento das perspetivas de gestão ativa. Por outras palavras, atualmente “as empresas devem considerar estratégias que procurem mitigar os riscos de perda e um foco no risco de cada ativo que compõe a carteira de investimentos”, afirmam.

Outro dos princípios destacados no documento tem que ver com o aproveitamento da tecnologia. FinTech é um dos temas mais relevantes no mercado atual, pelo que se os gestores de ativos “forem capazes de implementar processos automatizados, mais tempo livre poderão dedicar ao acompanhamento dos clientes”, destacam. Contudo, apesar das soluções oferecidas por algumas das empresas tecnológicas estarem em conformidade com a nova regulação e a necessidade de compliance, a escolha dos fornecedores destas soluções “deve ser prudente dado ser uma decisão fiduciária”, concluem.

O contexto regulatório atual poderá implicar um modelo de governance mais rigoroso, bem como a documentação de processos relativos a decisões de investimento, pelo que as empresas devem analisar a possibilidade de desenvolver parcerias com outros fornecedores. “As empresas de wealth management devem apostar nas suas vantagens competitivas e desenvolver uma combinação de recursos internos e externos para o research e soluções de investimento”, sugere o documento apresentado.

Num mercado caracterizado por baixas yields das obrigações, aliado às elevadas valorizações dos mercados, os gestores de ativos devem considerar investimentos alternativos. Contudo, “uma vez que os alternativos tendem a conter uma combinação de iliquidez e de risco, os consultores devem explicar esses cenários aos clientes e assegurar que entendem os diferentes produtos”, destacam.

O oitavo ponto refere que as mudanças que se têm vindo a observar relativamente aos processos de gestão de ativos orientados por objetivos justificam a incorporação de Environmental, Social and Governance. Neste sentido, portefólios que considerem questões ambientais, sociais e de governance poderão revelar-se uma fonte de diferenciação dos gestores de ativos.

O futuro passará por estabelecer soluções personalizadas para o cliente. É fulcral que os gestores concebam soluções adequadas aos objetivos de cada cliente, em particular relacionadas com a pós-reforma. Essas soluções deverão oferecer “a capacidade de uma pessoa aproveitar rendimentos adequados e sustentáveis na sua reforma”, destaca a instituição.

De acordo com o documento, “a quantidade de ativos em contas discricionárias continua a aumentar anualmente”, pelo que as soluções discricionárias são um dos princípios essenciais a ter em conta este ano.

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