As obrigações convertíveis serão capazes de lidar com este touro?


(TRIBUNA de Elena Villalba, diretora-geral da Mirabaud Asset Management para a Península Ibérica e América Latina.)

Nas últimas semanas, o Covid-19 gerou um desconcerto que atingiu os mercados, tendo sido registadas quedas descontroladas dos índices em praticamente todas as bolsas e pondo à prova o temperamento de investidores de todo o mundo. Nem os últimos anúncios sobre a esperada desescalada, nem as possibilidades de contar com uma vacina nos próximos meses parecem ter trazido estabilidade aos mercados.

Neste contexto, os veículos de investimento capazes de manter um rendimento mais estável e navegar em águas revoltas têm maior protagonismo. É esse o caso dos fundos de obrigações convertíveis, um instrumento híbrido entre ações e obrigações que melhora o equilíbrio entre o risco e rentabilidade ao não estar sujeito aos vaivéns do mercado como as ações ou outro tipo de obrigações. O cenário atual, bearish e com uma forte volatilidade, são um ativo a ter em consideração. Este ano, sem ir mais longe, o índice de convertíveis globais Refinitiv Global Focus hedge em dólares, capturou 43% dos retrocessos do MSCI World Equity Index. Se analisarmos o longo prazo, desde o fim de 2008 ao fecho do passado mês de março, a rentabilidade anualizada do índice de ações e do de convertíveis é de 9,9% e 8,2%, respetivamente. Com uma nuance a ter em conta: a volatilidade, sendo esta de 14,4% para o MSCI World Equity Index e de 7,5% para o Global Convertible Bonds Refinitiv Global hedge em dólares.

Nas últimas semanas, o desconto médio dos convertíveis globais alcançou os 6,3%, segundo a Nomura, um número não visto desde setembro de 2008. De facto, segundo o Bank of America, 67% dos valores encontram-se abaixo da paridade, face aos 30% registados no fim de 2019. A isto soma-se que o valor do delta médio se situa nos 42%, o seu nível mais baixo desde maio de 2012. A equipa de gestão confia que a sua volatilidade continuará no mercado e que haverá uma menor correlação, sendo este o melhor cenário para as obrigações convertíveis. Por outro lado, os últimos movimentos da Reserva Federal e do Banco Central Europeu ao injetar liquidez nos mercados e empresas são pontos-chave para recuperar a confiança na segurança do sistema bancário e em algumas emissões de obrigações. Em suma, existem fatores de peso que, no contexto atual, favorecem esta classe de ativos e não podem passar despercebidos.

O Mirabaud Convertibles Global Bonds (MCGB), um fundo focado no crescimento de capital a longo prazo, investe numa carteira de fortes convicções de valores convertíveis globais. Sob a batuta de Nicolas Cremieux, gestor principal do fundo dentro da Mirabaud Asset Management, e sobre a base de uma gestão ativa e de diversificação, o fundo manteve níveis de rendimento interessantes e duradouros que lhe valeram o Rating Morningstar 5 estrelas e o reconhecimento como investimento sustentável, Label ISR.

A equipa de gestão configurou uma carteira de 50 posições, com um active share de 83%. A estratégia diferenciadora do fundo é o facto de contar com modelos de negócio resilientes e com liquidez suficiente para enfrentar situações críticas. Além disso, o modelo de gestão ativa, marca da casa Mirabaud, permite aproveitar o crescimento de empresas que operam em indústrias que estão a registar fortes crescimentos nestes momentos de crise, tais como o sector de comida online, distribuição ao domicílio, teletrabalho, etc.

A carteira também integra perfis equilibrados com um delta entre 30% e 60%, e um delta médio de 36%. O fundo conta com uma taxa interna retorno atual de 1,37%, uma duração de 2,32 anos, e uma classificação creditícia média de BBB-. Além disso, na sua composição predominam valores com um potencial de subida de pelo menos 20%. Desta forma o fundo, além de captar as oportunidades de seleção, consegue aproveitar as correntes de subida ao mesmo tempo que se vê menos afetado por potenciais quedas. A equipa de gestão aposta nas empresas com spreads abaixo dos 400 pontos base.

Por outro lado, foi conseguida uma integração pragmática dos critérios ESG que reforça a convexidade, elevando correlação entre as pontuações ESG e as métricas de crédito.

Prevê-se que o mercado se mantenha volátil e menos correlacionado, um terreno abandonado para os convertíveis, no qual se pode continuar a conservar a participação na subida à medida que o mercado recupera, ao mesmo tempo que desfruta de uma proteção significativamente superior contra descidas.

Por fim, para investidores que não queiram renunciar a obter rentabilidades atrativas douradoras, os fundos de obrigações convertíveis, como o Mirabaud Convertibles Global Bonds (MCGB), representam uma oportunidade para navegar num contexto complexo e no qual ainda não se vislumbra uma recuperação imediata.

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