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"As gestoras portuguesas procuram mais produtos puros"


Como valoriza a vossa relação com o mercado português? Há quanto tempo trabalham neste mercado?

Fomos de facto uma das primeiras gestoras internacionais a chegar ao mercado português, e temos vindo a trabalhar desde que abrimos o escritório para a Ibéria em 2001. Começámos com clientes mais institucionais e, gradualmente, fomo-nos abrindo ao mercado de distribuição de fundos. Hoje contamos com quatro distribuidores em Porugal e vamos a caminho do quinto. O nosso objectivo é chegar às cinco primeiras gestoras internacionais de referência.

Alguma vez a Pioneer pôs a hipótese de ter um escritório em Lisboa?

Achamos que o facto de estarmos situados em Madrid não é uma desvantagem, já que a distância não é um impedimento para visitar regularmente os nossos clientes e alcançar a excelência no nosso serviço. Dentro da equipa eu dedico-me quase exclusivamente a cobrir o mercado português. Também a Teresa Molins, Directora de clientes institucionais do escritório da Iberia, acompanha de perto estes mercados. Para além disso, contamos com uma equipa de marketing e suporte a nível local preparada para atender às necessidades dos nossos clientes portugueses e produzir material em português.

Quais são os vossos produtos mais vendidos em Portugal?

São principalmente fundos flexíveis de obrigações como o “Pioneer Funds Strategic Income”, aptos a adaptarem-se a diferentes contextos de mercado e centrados na procura de “yield”, nesta conjuntura cada vez mais complexa para os fundos de obrigações, que historicamente se têm comportado muito bem perante as subidas das taxas da Fed e, por outro lado, em fundos de acções como o nosso fundo “Pioneer Funds Euroland Equity”, um produto cujo gestor acaba de ser nomeado pela Citywire como o melhor gestor de fundos de acções da Europa dos últimos dez anos.

Que tipo de produtos são os mais procurados pelas gestoras portuguesas? E pelas plataformas online?

As gestoras portuguesas procuram mais produtos puros tanto de obrigações como de acções, já que são “asset allocators”. Por outro lado, também procuram produtos sofisticados e estão à frente das tendências. Têm muito claras quais são as suas necessidades e o tipo de productos onde lhes podemos acrescentar valor. As plataformas online, no entanto, procuram mais produtos flexíveis, tanto de obrigações como de multiactivos, que sejam capazes de se adaptarem a diferentes contextos de mercado.

Tem mudado a procura de produtos em Portugal durante a crise?

Achamos que não mudou muito devido à crise. Mas é certo que o facto de se potenciarem os depósitos por parte das entidades com taxas muito atractivas supõe uma ruptura. No contexto actual os bancos precisam de margem e há uma aposta clara por parte de muitas entidades de potenciar os fundos de investimento.

Existem oportunidades no mercado institucional das pensões e das fundações?

Efectivamente existem oportunidades. No caso das instituições com maior tamanho, os consultores globais têm um papel de assessoria bastante importante, e os que investem em gestoras internacionais costumam fazê-lo via mandatos de gestão.

Observam um maior interesse por parte de produtos internacionais desde que Portugal foi intervencionado?

Observamos um maior interesse em geral pela conjuntura de mercados e a necessidade de produtos com margem. Parece que as plataformas e as bancas privadas de facto viram uma procura por parte de clientes que queriam investir o seu dinheiro em produtos estrangeiros. No entanto no que diz respeito a nós, não terá sido algo muito notório e não nos parece que a intervenção a Portugal tenha sido um factor determinante.

Que serviços de pós venda os vossos clientes portugueses exigem?

Oferecer um excelente serviço é crucial para nós. Para além disso, é isso que permite consolidar uma relação a longo prazo com o cliente. Estar bem informados sobre a evolução dos fundos, obter respostas rápidas, ter acesso aos gestores e sobretudo antecipar as suas necessidades é o que mais valorizam.

Que áreas de negócio apresentam maior potencial de crescimento no mercado português?

Na minha opinião, são as redes e as bancas privadas as que apresentam maior potencial hoje.

O investidor português procura produtos de rendimento?

Sim, tradicionalmente o investidor português gosta de investir directamente em obrigações de empresas e receber um rendimento periódico. Agora que já não há tantas oportunidades, começamos a notar a procura de produtos não só de obrigações mas também de acções com volatilidade controlada que distribuem rendimentos periódicos e cujo objectivo de flexibilidade se coloca previamente.

A diferença na fiscalidade entre um produto português e o internacional é uma vantagem ou um inconveniente para o produto internacional?

A priori pode ser mais atractivo investir num produto internacional já que as rendibilidades apresentadas são livres de impostos e a tributação só acontece quando se reembolsa ou se recebe o rendimento, ao contrário dos produtos portugueses que já descontam as retenções desde o início. Mas não me parece que isso seja um factor determinante na hora de eleger um produto ou outro.

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