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Fintech: dos ATM ao Blockchain


O termo FinTech começa aos poucos a entrar no vocabulário de quem trabalha no mundo financeiro. Tendo em conta precisamente o interesse que desperta o tema, o Banco de Portugal levou recentemente a cabo o ‘Workshop on digital banking and fintech: challenges and threats for the banking system’.

Reunindo um conjunto de oradores com expertise na área, durante a sessão abordaram-se pontos inevitáveis, como a relação entre os bancos e os seus clientes, as consequências de um novo modelo de negócio dos bancos nas suas estruturas tecnológicas, rentabilidade e risco, entre outros. 

Mudança de raiz

John Schindler, membro do board of governors of the Federal Reserve System, foi aos primórdios da questão, e começou por estabelecer uma definição de Fintech. “Numa acepção abrangente as FinTech podem ser entendidas como uma inovação tecnológica com implicações nas instituições e na provisão de serviços financeiros”, começou por referir. Embora com uma roupagem inovadora, lembra que as Fintech não são um fenómeno recente, pois esse fenómeno manifestou-se por exemplo aquando “da introdução das caixas automáticas (ATM)”. A questão atual, sublinhou, incide contudo na “profundidade” das mudanças. Numa metáfora com uma construção de um edifício, John Schindler comparou a introdução de novos produtos financeiros a uma espécie de “renovação ou acabamentos” de um edifício. As inovações mais recentes, contudo, “obrigam a alterar as próprias fundações do edifício”.

O especialista destacou também que existem características que ajudam a definir as tendências gerais do fenómeno FinTech. As caraterísticas são “o aumento da facilidade de acesso aos serviços financeiros, o que reforça a necessidade de garantir a inclusão financeira, o aumento da eficiência dos serviços financeiros, o que obriga à monitorização e análise das constantes inovações, e o aumento da descentralização e respetiva desintermediação financeira, o que coloca desafios à segurança do sistema financeiro”.

Inside view do Banco de Inglaterra

A partir da própria experiência que tem vivido no Banco de Inglaterra, Claire Sunderland, da instituição, falou sobre as razões que conduziram à criação do acelerador de FinTech no Banco de Inglaterra. A profissional indicou que “através do acelerador de Fintech, o Banco de Inglaterra tem a oportunidade de trabalhar com recursos e com competências que tipicamente não estão disponíveis nos bancos centrais”. Sobre o processo, foi perentória: “Um aspecto importante é o facto de o acelerador de FinTech funcionar de forma transversal, em contacto direto com muitas áreas do Banco de Inglaterra. Este acompanhamento multidisciplinar além de permitir avaliar o impacto da Fintech nas várias áreas de atuação das autoridades, nomeadamente na definição da política monetária e na supervisão das instituições, será suscetível de melhorar o funcionamento do próprio Banco de Inglaterra”.

Do lado do próprio sector da Banca deu-se a palavra a Andreas Dombret (Bundesbank) que falou dos vários desafios que se colocam aos bancos atualmente. “O primeiro desafio que se coloca é precisamente o de melhorarem a sua eficiência. Os modelos de gestão de informação dos bancos foram construídos durante as últimas décadas de forma gradual, o que implica ineficiências, nomeadamente as resultantes da compatibilização de sistemas diferentes”, apontou. Em segundo lugar falou da própria habituação dos bancos “às novas exigências dos consumidores, refletindo, nomeadamente, os hábitos das gerações mais novas”, o  que “criará uma pressão para a diminuição das margens de intermediação”. 

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