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As fases da bolsa ao longo do ano e o efeito "Santa Claus"


A bolsa, grosso modo e por regra, divide-se anualmente em duas partes. Uma fase altista, que corresponde a sete ou oito meses, e vai de outubro a maio, e uma fase de baixa que é um ponto de saída do mercado, que equivale a quatro ou cinco meses, entre junho e setembro. 

No entanto, em termos de ano civil, podemos dividir o comportamento da bolsa em três fases que se caracterizam por dois pontos de entrada no mercado e um de saída. A primeira fase tem lugar no início do ano e é apelidada pelos investidores de "efeito janeiro", e representa um ponto de entrada no mercado. Nesta altura, as casas financeiras divulgam as suas perspetivas para o ano, com as recomendações e respetivos "price targets" para as empresas cotadas, que por regra representam ganhos. O mês de janeiro pode incorporar parte destes ganhos que, por vezes se prolongam até ao final de março. A segunda fase do ano reflete o balanço e respetivas ilações sobre os resultados trimestrais de janeiro a março. Caso o mercado tenha registado subidas significativas, e que não são corroboradas pelos resultados, é natural que encete uma correção mais extensa no tempo, e daí o velho adágio do mercado "Sell in May and go away". 

É precisamente nesta parte da segunda fase do ano que se assiste a um ponto de saída do mercado, e os investidores só regressam depois do verão, no final de setembro. Os meses de outubro e novembro surgem como a terceira fase da bolsa e o segundo ponto de entrada no mercado. Caracterizam-se pela aproximação do final do ano, e se o mercado vem de uma correção durante o verão, como é o caso este ano, os rearranjos de carteiras são normais nesta época e poder-se-ão traduzir em subidas. O mês de dezembro caracteriza-se por uma lateralização, com a liquidez bastante baixa. Se se assistir a alguma correção mais significativa durante a terceira fase, é normal que haja outro ponto de entrada no mercado, com oportunidades no período natalício devido às quedas verificadas na primeira parte do mês de dezembro, a que chamamos o "Santa Claus rally". 

Este efeito teve origem nas bolsas dos EUA e estendeu-se, posteriormente, às restantes praças mundiais. É caracterizado por uma subida das cotações entre o Natal e o fim do ano. Existem várias explicações para a ocorrência deste fenómeno, incluindo razões fiscais, alguma confiança e (quem sabe?) o espírito natalício à volta de Wall Street! As pessoas investem os prémios de Natal e final de ano atribuídos pelas empresas onde trabalham, e os pessimistas estão geralmente de férias nesta semana. Há analistas que defendem que o "Santa Claus rally" resulta da compra por antecipação da provável subida do mercado no mês de janeiro. Nesta fase natalícia os investidores apostam em títulos ligados ao consumo ou que tenham sido bastante penalizados durante o ano, muitas vezes devido à falta de liquidez, apesar de apresentarem potencial. 

Quem vendeu em maio, este ano, seguindo a velha máxima, fez bem porque seguiram-se fortes perdas na bolsa até meados de setembro. Depois, os mercados acionistas, e não só o português, encetaram uma recuperação considerável em outubro e novembro. Todavia, ainda se encontram aquém da Média Móvel 200 dias (MA200) que continua a ser um relevante barómetro para se aferir que se estamos perante um mercado de baixa (bear market) ou um mercado de tendência altista (bull market). 

Em outubro e novembro o Dax30 subiu 20%, o SP500 cresceu 10% e o PSI20 ganhou 7%. O mercado comportou-se como é normal nesta parte do ano. Dezembro é por tradição calmo, mas este ano o DAX30 já caiu 10%, o SP500 desceu 5% e o PSI20 contraiu 5%, por isso o efeito "Santa Claus" pode ser mais enérgico… 

O desempenho das bolsas vai continuar condicionado no próximo ano pelos dados macroeconómicos para aferir se existe ou não um abrandamento, pelo comportamento das bolsas chinesas e pelo ritmo das subidas de taxas de juro por parte da FED. Por cá, ultrapassada a instabilidade política de novembro, o crescimento económico anémico continuará a ser um entrave a subidas de maior monta… 

(Artigo publicado no blog do autor e no semanário Vida Económica dia 18 de dezembro de 2015)