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As empresas estão melhores, mas há ainda muito a fazer


Já passaram 6 anos desde que iniciei a minha colaboração com a Funds People em fevereiro de 2013, ou seja, este é o 72º artigo mensal. Os temas analisados foram muitos, alguns dos quais revisitados, mas essencialmente incidiram sobre aspetos macroeconómicos e dos mercados financeiros.

Desta vez, vou abordar a evolução geral das empresas portuguesas. O que se passou nos últimos anos em que a macroeconomia foi positiva? Será que as empresas melhoraram a sua performance económica e financeira?

Com base em dados de setembro de 2018 relativos às empresas não financeiras e agora divulgados pelo Banco de Portugal (BdP), verificamos que nos últimos 3 anos, as empresas melhoraram a sua performance económica e o seu mix de financiamento.

Um dos indicadores utilizados pelo BdP é o EBITDA (cash flow operacional) em percentagem do Ativo ou margem do EBITDA. Em setembro de 2015, este indicador era de 5,9% nas empresas públicas não incluídas no setor das administrações públicas e de 6,4% nas empresas privadas. Passados 3 anos, o indicador é de 5,7% nas mesmas empresas públicas (regrediu 0,2% de valor) e de 8,2% nas empresas privadas (aumentou 1,8% de valor).

Em termos da sua dimensão, as grandes empresas privadas passaram de um EBITDA / Ativo de 9,3% em setembro de 2015 para 10,1% em setembro de 2018, enquanto que nas PME’s, o indicador passou de 5,3% para 7,5% no mesmo período.

Os setores com melhor rácio EBITDA / Ativo em setembro de 2018 foram: Transportes e Armazenagem com 12,1% (10,2% em setembro de 2015), Indústria com 11,2% (8,9%) e Comércio com 8,4% (6,5%). O setor com o indicador mais baixo em setembro de 2018 foi a Construção com apenas 3,4% (2,7% em setembro de 2015).

A cobertura dos juros suportados pelo EBITDA também melhorou nos últimos anos. Este indicador é importante na análise de risco financeiro de uma empresa.

Outro tema que se tem falado muito nos últimos anos é o endividamento total do país (Estado, Empresas e Famílias). De acordo com o BdP, houve uma melhoria no rácio de Autonomia Financeira (Capitais Próprios / Ativo) das empresas não financeiras. Entre setembro de 2015 e setembro de 2018, os capitais próprios aumentaram o peso face ao ativo de 34,4% para 37,9%, basicamente por contrapartida da redução do peso dos financiamentos obtidos, que passou de 37,9% em setembro de 2015 para 34,2% em setembro de 2018.

Uma das grandes dores de cabeça da gestão financeira de curto prazo (tesouraria) é a gestão dos prazos médios de recebimento e de pagamento. Segundo os dados do BdP, as empresas públicas não incluídas no setor das administrações públicas recebem e pagam mais cedo do que as empresas privadas.

O setor que recebe e paga mais tarde é o da Construção, entre 100 e 150 dias, enquanto que o setor da Eletricidade, Gás e Água recebe e paga abaixo dos 50 dias.

Os últimos 3 anos evidenciaram uma melhoria da performance económica e financeira das empresas portuguesas, especialmente as do setor privado, apesar de ainda existirem diferenças significativas entre os vários setores de atividade.

É necessário que este progresso continue para a tão desejável convergência com as empresas congéneres da zona euro. Mas, para que isso seja possível, é imprescindível que o ciclo de crescimento económico se mantenha.

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