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As eleições europeias não deverão implicar (por si só) apenas risco para o mercado de valores


Desde hoje e até domingo os cidadãos europeus são chamados a ir às urnas para eleger 751 eurodeputados que integrarão o Parlamento europeu durante os próximo cinco anos e que, portanto, tomarão decisões em torno da “matéria de emprego, empresas, segurança, migração e mudanças climáticas”, segundo aponta a própria instituição no seu website.

Há centenas de milhares de cidadãos convocados para as urnas mas as experiências de comícios anteriores fazem antever que a taxa de participação não seja tão alta como a que se regista nas eleições presidenciais de cada país. De facto, na última data eleitoral desta envergadura que teve lugar em 2014, apenas participaram 42% dos eleitores.

Seja como for, nos últimos dias foram várias as gestoras que se aventuraram a lançar análises sobre esta nova data eleitoral. A conclusão geral que projetam essas análises é que o impacto destes comícios no mercado será quase nulo ainda que os resultados possam dar pistas sobre como se vão desenvolver outros riscos políticos que figuram no calendário 2019. “Espera-se que os populistas consigam bons resultados, mas a nossa previsão é que os centristas continuarão a ser a maioria. É previsível que a fragmentação política torne o Parlamento menos previsível, permitindo alianças estratégicas ou temporárias entre diferentes forças políticas em alguns assuntos aumentando assim a incerteza”, afirma Apolline Menut, analista macro da AXA Investment Partners.

“O Parlamento Europeu já é muito diverso politicamente falando e não esperamos que isto mude de uma forma dramática depois das eleições ainda que possam haver algumas mudanças na composição”, confirma David Zahn, responsável de obrigações europeias da Franklin Templeton, quem recorda, contudo, que as eleições europeias foram sempre utilizadas pelos eleitores como voto de castigo, o que poderá impulsionar esse voto antieuropeu que já se prevê que suba. “As sondagens realizadas oferecem uma leitura: a de um Parlamento fragmentado onde há que estar atento ao peso dos partidos eurocépticos, que a priori poderão acumular à volta de 30% ou 35% dos votos. É um risco para os mercados? Pensamos que não: apesar da maior representação antissistema, o heterogéneo dos partidos complica a sua visibilidade como alternativa” afirmam no Andbank.

Olhando para a Alemanha e Itália

Ainda assim, o facto de que estas eleições possam ter um menor impacto no mercado que outras datas anteriores não quer dizer que não possa contribuir para uma maior volatilidade num mercado que após a ressurreição do risco da guerra comercial voltou a ficar nervoso e a refletir no preço já não só os efeitos dessa disputa como também os riscos associados a um Brexit, cujo deadline (pelo menos neste momento) é em junho, às mudanças políticas que possam acontecer na Alemanha, ou em Itália mais cedo ou mais tarde. “O grande risco destas eleições é que tenham um grande impacto nas políticas nacionais como por exemplo uma queda do governo alemão e do seu programa de coligações ou que em França os eleitores usem estas eleições para protestar contra as últimas decisões do Governo”, afirmam na ING Economics.

Já para não falar do caso de Itália, cujo mercado já começou a cotar a possibilidade de novas eleições. “Se a Liga conseguir um resultado melhor do que 35% dos votos como indicam as sondagens, Salvini poderá decidir pôr um ponto final na coligação de Governo e terá que ser outra vez o presidente Matarrella a tomar uma decisão com base nos resultados de março de 2018”, referem na AXA IM.

Além disso, não nos podemos esquecer que será este novo Parlamento quem deverá decidir sobre quem vai ocupar os vários postos relevantes que ficarão vagos este ano, entre eles a presidência da Comissão europeia e também alguns órgãos principais do BCE como o do novo presidente. “Mario Draghi, Jean Paul Juncker e Donald Tusk, presidentes do BCE, a Comissão Europeia e o Conselho de Ministros serão substituídos este ano e há muita margem para que se produza um erro político. Mais num Parlamento em que haverá mais visões eurocépticas e com o riscoo de instabilidade do ponto de vista económico”, afirma Michael Browne, gestor de carteiras em Martin Currie (pertencente à Legg Mason).

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