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As duas operações na ordem do dia


As últimas semanas têm sido movimentadas no mercado nacional, com o anúncio da pretensão da Sonae de lançar o seu segmento de retalho (Sonae MC) em bolsa e da OPA da China Three Gorges à EDP. Duas operações que prometem dar muito que falar, em particular a segunda não só pela importância da empresa de energia no mercado português, mas também pelos moldes de negócio apresentados.

Quanto à decisão da Sonae de colocar a Sonae MC em bolsa, esta parece ser uma boa notícia para o mercado acionista português. De facto, esta é a opinião de Pedro Barata, gestor do fundo NB Portugal Ações, e de José Pedroso, da equipa de gestão do fundo Invest Ibéria.

Em primeiro lugar, para o gestor do fundo da responsabilidade da GNB Gestão de Ativos, esta é uma boa notícia para os investidores nacionais e internacionais, uma vez que “passarão a ter possibilidade de investir diretamente numa empresa com uma gestão de excelência”. Para além disto, é também positivo para o mercado acionista nacional, passando a contar “com mais uma boa empresa cotada”, algo particularmente importante, “numa altura em que somos regularmente confrontados com notícias de empresas que pretendem sair de bolsa”, refere o gestor.

Também José Pedroso destaca a importância da entrada da Sonae MC em bolsa, tendo em conta que “são mais as empresas, nos últimos anos, que saem de bolsa do que as que entram”. Já para os investidores é igualmente importante, porque lhes “investir diretamente numa empresa líder do sector de retalho alimentar em Portugal”. Foca-se, por outro lado, na importância desta operação para a própria Sonae SGPS, “pois deverá permitir uma cristalização de valor da unidade de retalho” e porque possibilitará não só a redução do seu desconto de “holding”, mas também diminuir a sua dívida.

OPA à EDP: uma operação que deve demorar a estar concluída

Para ambos os profissionais, a OPA da China Three Gorges à EDP – avaliada em 3,26 euros por ação – é pouco provável que seja concluída no curto prazo. Pedro Barata destaca que esta é uma notícia que, apesar de “positiva para os investidores, é também negativa para a bolsa portuguesa, que perderá umas das suas maiores capitalizações bolsistas, numa altura em que se encontra já bastante depauperada”. Quanto à sua conclusão, acredita que esta poderá demorar algum tempo, uma vez que terá de ultrapassar bastantes obstáculos regulatórios, não só em Portugal, mas também na UE e nos EUA, e por causa da questão do preço: “O mercado está a dar claras indicações que o preço proposto não será aceite pelos investidores”, refere.

José Pedroso destaca que se espera que o preço desta operação seja revisto, não só porque “o prémio parece ser curto para uma posição de controlo na EDP, mas também porque, quando comparado com transações passadas do sector, o prémio parece baixo”. A questão dos reguladores onde a empresa portuguesa opera é outro elemento a ter em conta, que deverão fazer com que “esta operação a acontecer irá demorar tempo, e, deverá ser alvo de avanços e recuos até ser finalizada”, indica.

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