As consequências de uma economia chinesa mais aberta


Um PIB de 11 biliões de dólares e uma dívida que supera duas vezes esse PIB, é o retrato da economia que ocupa já o segundo lugar no ranking das maiores economias do mundo: a China. Com taxas de crescimento que ultrapassam largamente as verificadas no mundo desenvolvido e a progressiva abertura da economia, tenderá a ocupar um papel relativo cada vez mais relevante na economia global. Com isto, também os problemas que poderão advir do país acabarão por ter um impacto cada vez mais globalizado, e o nível de dívida é uma das questões mais abordadas pelos especialistas. Mas de que modo esta dívida gigantesca poderá ser um problema?

Christina Chung, head of chinese equities na Allianz Global Investors, com a sua larga experiência na classe de ativos, falou com a Funds People sobre o assunto e apontou o dedo a outro potencial problema. “Basicamente, metade do país mostra níveis de endividamento extraordinários, nomeadamente as empresas e os governos locais, mas a outra metade está longe de enfrentar um problema de endividamento. Falo especificamente das famílias”, destaca Chung. A profissional refere-se a uma tendência de poupança que é inerente à cultura chinesa: “As famílias têm estado a verificar ao longo dos últimos tempos um crescimento dos seus rendimentos de perto de 10%  e, apesar de um paralelo aumento da propensão para consumir, as poupanças continuam a aumentar significativamente, o que levanta a dúvida se a China terá realmente um problema de excesso de dívida ou excesso de poupança”.

A especialista define a China como um sistema em ‘closed loop’ o que faz com que os níveis elevados de dívida e uma grande propensão à poupança sejam problemas ‘geríveis’ internamente. “Como tanto os credores como os devedores são empresas públicas ou detidas pelo estado, nunca vamos observar uma situação de falência forçada. Pelo contrário, qualquer exagero será resolvido com uma restruturação de prazos e condições que permitem uma gestão ordenada dos excessos”, esclarece a especialista em ações chinesas acrescentando que “é por isso que não veremos um resultado catastrófico de toda esta situação”.

Outflows de capitais

Para Christina Chung o grande problema da economia chinesa será a gestão dos outflows de capital em resultado da progressiva abertura da economia. “Até agora nunca se levantou esse problema porque a porta não estava aberta, ou seja, a balança de capitais estava praticamente fechada. À medida que o país abre progressivamente a porta e permite que o dinheiro flua, esta dinâmica muda. O povo chinês começará a pensar em diversificação, em retirar dinheiro do país para adquirir propriedades e investir nos mercados estrangeiros, por exemplo, em vez de se limitarem aos mercados de ações ou obrigações domésticos”, alerta a profissional da Allianz GI. As saídas de moeda do país, que a especialista apelida de ‘fugas’, poderão então tomar proporções relevantes e causar “pressões na economia doméstica”.

Em jeito de conclusão, Christina Chung alerta que este “é o grande problema que a China terá que gerir no futuro”, e acrescenta que acredita “que a sua economia continuará a abrir mas, como é usual em tudo o que acontece na China, não será de esperar movimentos muito drásticos”

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