As ações europeias dececionam os investidores


Apesar da excitação que prometia no ano passado, a evolução das ações europeias dececionou, em grande medida, os investidores. Isto deve-se a três principais razões: o resultado negativo das eleições alemãs, a exposição pouco significativa da Europa à tecnologia e à força do euro.

“No que diz respeito ao crescimento económico, no conjunto da eurozona, o aumento de 2017 irá prolongar-se durante o primeiro semestre de 2018, mas é possível observar sinais óbvios de que o crescimento está a tocar o máximo, em particular na economia alemã. Para o conjunto da Zona Euro, a previsão de consenso aponta para um abrandamento do crescimento do PIB real de 2,7% do 4T de 2017, para 2,2% para o quarto trimestre de 2018 e para 1,8% no quarto trimestre de 2019”, revela John Greenwood.

Segundo o economista-chefe da Invesco, o sistema bancário da zona euro continua a ser uma área de vulnerabilidade. “Os rácios de incumprimento são elevados em vários países e o crescimento dos empréstimos é anémico no conjunto da Zona Euro. Se o BCE abandona por completo as compras de ativos, é provável que o crescimento dos depósitos e, por conseguinte, da M3, em toda a região caia para níveis mais baixos, o que poderá afetar o crescimento do PIB e provocar um recuo da inflação para zero”.

Para o conjunto da Zona Euro, Greenwood prevê um crescimento do PIB real em 2018 de 2,3% e uma taxa de inflação avaliada pelos preços de consumo de 1,5%, ainda abaixo do objetivo de 2%, algo que o especialista diz dever-se principalmente a um crescimento inadequado da massa monetária M3.

Eugene Philalithis, gestor de fundos multiativos na Fidelity, prefere ver o copo meio cheio. “A Zona Euro também deverá beneficiar de fatores como o crescimento do crédito, uma vez que os bancos podem prestar cada vez mais atenção às suas atividades quotidianas e menos a curar as feridas deixadas pela crise financeira. O elevado volume de empréstimos em incumprimento da Europa desceu a pique, o que permitiu aos bancos alocar menos capital para cobrir as perdas. Uma vez que a economia europeia depende mais do crédito do que a norte-americana, a maior responsabilidade deste deverá ser um impulsor poderoso da economia e dos lucros empresariais”, sublinha.

Por outro lado, Philalithis destaca as baixas valorizações que se observam na região, as quais se situam próximas do seu nível mais baixo dos últimos dez anos, face aos Estados Unidos. ”Deixam muito espaço para subir nos valores, no caso de que assistamos a outra fase de tolerância ao risco. Simultaneamente, as perspetivas para os lucros empresariais são promissoras. As revisões dos lucros voltaram para um território positivo em termos absolutos, pela primeira vez em seis meses e os analistas preveem agora que as empresas sair-se-ão melhor do que se pensava inicialmente”, afirma.

O especialista também considera que a bolsa europeia deverá contar com apoios mais diretos. “Depois de dois anos, as recompras de ações voltaram a crescer e esta tendência deverá manter-se, graças ao efeito combinado das boas taxas de crescimento, da acessibilidade ao crédito e da solidez dos balanços. Este panorama favorável suscita perguntas lógicas em relação ao euro, uma vez que a moeda revalorizou consideravelmente no calor da melhoria da conjuntura no ano passado. No entanto, tanto nos Estados Unidos como na Europa, os mercados descontaram, geralmente, o endurecimento monetário antes de que aconteça, como ocorreu na zona euro o ano passado ou nos Estados Unidos, no período 2014-2016. A Reserva Federal continua a subir as suas taxas, pelo que parte da pressão sobre a mudança euro-dólar deverá cessar durante o ano, como começámos a ver durante as últimas semanas”, conclui o gestor da Fidelity.

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