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As 10 coisas que, como investidor, deve esperar depois do Brexit


A reação dos investidores sobre a decisão do Reino Unido abandonar a EU é imediata. O primeiro impulso foi a venda de ativos de risco, o que provocou a queda das bolsas europeias e a ampliação de spreads nos mercados de obrigações corporativas. Depois, foram procurar refúgio no que, historicamente, se consideram ativos refúgio, como o ouro, o dólar, a dívida pública norte-americana ou os bunds alemães, cuja rendibilidade cota, atualmente, em mínimos históricos (a TIR do bund alemão a 10 anos está em -0,06% e a de 15 anos também entrou em terreno negativo). No entanto, agora a pergunta mais importante que fazem os investidores é o que esperar do futuro. A Funds People recompilou as opiniões de profissionais de dez gestoras de ativos onde dão a conhecer as suas expetativas sobre o comportamento que, daqui para a frente, podeão mostrar os mercados de obrigações de ações. Muitas dessas reflexões são semelhantes entre os participantes do mercado neste momento.

John Greenwood, economista-chefe da Invesco. “O consenso é que a curto prazo a decisão debilitará a libra e terá impacto no crescimento económico britânico. A libra será um instrumento-chave a observar a curto prazo, já que os movimentos da divisa determinarão, provavelmente, o alcance da resposta do mercado. O sentimento inicial é negativo, com uma considerável queda dos mercados, mas a pergunta é quanto? Vimos muita debilidade até ao momento, e assim alguns sentimentos negativos já estão a ser descontados. É provável que haja um acto como resposta, seguido de um rally de mercado com muitas pessoas a pensar mais sobre as implicações mais abrangentes da debilidade da libra”.

Philippe Ithurbide, diretor global de análise da Amundi e Didier Borowski, responsável macro da entidade. “Abre-se uma etapa com muitas incógnitas. A decisão dos cidadão britânicos abre um período de incerteza no Reino Unido e Europa que a curto prazo, irá provocar volatilidade nos mercados financeiros”.

Azad Zangana, economista europeu da Schroders. “O resultado das urnas foi um grande choque para os investidores. A reação foi a venda de ativos de risco. A incerteza continuará na ordem do dia durante algum tempo e os danos totais da decisão não serão visíveis durante muitos anos. A curto prazo, o Reino Unido enfrenta um período de estagflação, baixo crescimento e elevada inflação".

Simon Ward, economista-chefe da Henderson. “É possível que a libra e as ações britânicas não tenham alcançado o seu valor razoável a médio prazo, mas é provável que a atual falta de visibilidade politica e económica leva a que os investidores reduzam a sua exposição, o que implica que os preços poderão cair mais no curto prazo antes que se produza uma recuperação”.

BlackRock. “Com o tempo vamos ver um euro mais débil e pressão sobre as ações europeias, crédito e obrigações periféricas, devido a uma provável perda de postos de trabalho na Europa e um menor crescimento económico”.

Dominic Rossi, diretor mundial de investimento da área de ações da Fidelity. “Vimos um movimento reflexo nos mercados, que estavam mal posicionados face ao resultado do referendo. O fim poderá estar longe, todavia, quando o poeira assentar e os fundamentais se reafirmarem, provavelmente, a libra vai continuar a depreciar face ao dólar e ao euro. Para os investidores, a diversificação é a chave. Isto significa alcançar um equilíbrio entre ativos em libras e noutras moedas, juntamente com obrigações que vão atuar como depósito de valor. Também é importante recordar que sempre haverá grandes organizações internacionais com balanços muito grandes que oferecem certa proteção aos aforradores nestes tempos”.

Steven Andrew, gestor da M&G Investments. “As bolsas europeias protagonizaram quedas de dois dígitos no dia de hoje (sexta-feira). Não é uma surpresa e não será estranho que se dêm flutuações mais drásticas agora que o Brexit foi confirmado. No entanto, estas quedas tão vincadas poderão representar uma oportunidade”.

Howard Cunningham, diretor de carteiras de fixed income na Newton (BNY Mellon). “Com o abrandamento da atividade e o maior distanciamento de uma possível subida de taxas de juro, o provável é que o resultado suporte a dívida pública no curto prazo. É possível que a curva de yields da dívida soberana se torne mais pronunciada com a procura por uma maior compensação por parte dos investidores devido à incerteza no longo prazo. No entanto, a rentabilidade em geral não será necessariamente mais alta. É importante ter em conta que, ainda que no início os investidores vejam o voto para a saída como algo negativo e desejem desfazer-se dos ativos denominados em libras, duvidamos que as obrigações do estado encabecem a lista dos ativos para alienar. As obrigações corporativas denominadas em libras enfrentam forças contrárias e é possível que a maior incerteza gere um prémio de risco, ou seja, maiores spreads de crédito, especialmente para emissores domiciliados no Reino Unido”.

Regina Borromeo, gestora de carteiras na Brandywine (Legg Mason Global AM). “Prevemos que as taxas de juro britânicas permaneçam em níveis baixos durante bastante tempo, em resultado dos efeitos colaterais para o crescimento, confiança empresarial e nas mudanças nos planos de investimento. No entanto, a debilidade da divisa e ações de política monetária mais acomodatícias por parte do Banco de Inglaterra deverão aumentar as expectativas de inflação. Este contexto incerto deverá favorecer a dívida pública refúgio, enquanto que estes mercados turbulentos poderão proporcionar interessantes oportunidades de valor, especialmente no segmento da dívida corporativa”.

Claudia Von Turk, analista de banca na Lombard Odier. “Ainda que esperemos uma debilidade no Reino Unido, os países na periferia poderão ver-se ainda mais afetados pelos receios de contágio. Os bancos franceses, nórdicos, suíços e do Benelux são menos afetados diretamente. No entanto, poderão haver efeitos secundários. Se algumas moedas (o franco suíço, a coroa dinamarquesa) são percebidas como refúgios seguros, o que poderá conduzir a taxas ainda mais negativas – o que não é positivo para os bancos. Mesmo perante a possibilidade de outros referendos que possam afetar-lhes, em geral, os bancos destas regiões estão menos expostos”.

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