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Argumentos a favor de um Japão ainda ignorado pelos investidores


Desde 2012 que o Japão como mercado bolsista recuperou ativamente, mas ainda está longe do limite dos seus máximos históricos. As ações japonesas tendem a passar despercebidas no radar dos investidores apesar de serem um mercado desenvolvido, como argumenta Chantana Ward, gestora do Comgest Growth Japan, fundo com selo Funds People pela sua classificação Consistente.

Primeiro, porque está a passar por uma mudança importante no mercado laboral que será decisiva para o futuro macroeconómico da região: a forte entrada das mulheres no mercado de trabalho. Como ilustram os gráficos seguintes, a população ativa do país alcançou os máximos históricos graças às mulheres, que quase representam a sua metade.

 

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Um segundo motor é o turismo. Nos últimos quatro anos o fluxo de visitantes estrangeiros no Japão explodiu: passou de menos de um milhão em 2013 para perto dos 2,5 milhões em 2018. Desta massa turística que desembarca todos os anos no país, o grosso procede de outros países asiáticos. É de tal forma assim que, segundo uma anedota partilhada por Ward, o número de turistas asiáticos que visitam Tóquio é superior à população da cidade.

Isto tem a sua implicação no consumo. O Japão é muito mais do que a potência industrial que na Europa acreditam ser. Para a classe emergente consumidora na Ásia, é uma das referências em matéria de estilo de vida. “São os retalhistas japoneses a ditar as tendências do consumidor asiático”, conta Ward. Ponhamos essa afirmação em números. O biberão mais popular da China é uma marca japonesa, como também o é a marca de roupa mais vendida no Alibaba. No fast retailing, a matriz da Uniqlo supera em vendas e EPS as duas potências do fast fashion na Europa, a Inditex e a H&M.  É o Japão "cool" o que verdadeiramente sacia as necessidades emergentes da classe consumidora da Ásia.

Implicações diretas para o investidor

Do ponto de vista do investidor também há mudanças relevantes. Segundo entende a especialista, o corporate governance  está no final das prioridades empresariais. Isto reflete-se nos dados do ROE, ROIC e ROA dos balanços. Além disso, tem havido um aumento do número de membros independentes dos boards. O acionista começa a ser uma preocupação para as empresas japonesas, que estão a fazer esforços em matéria de distribuição de dividendos e compra de ações.

Isto ocorre num contexto em que o mercado japonês está subponderado. Enquanto no S&P 500 existem em média 20 analistas para cobrir cada uma das 500 empresas, no MSCI Japão não chegam à média de dois para 300 valores. E existem empresas cuja cobertura permanece deserta.

A isto acrescenta-se o facto dos investidores institucionais voltarem a ser um apoio para a bolsa japonesa. O fundo de pensões do Japão (GPIF) aumentou o seu peso em ações nacionais. Este é um movimento que Ward também nota em entidades como bancos regionais, os quais viam a bolsa como forma de complementar os seus investimentos em obrigações.

A aproximação da Comgest

Tudo o que foi anteriormente referido são tendências que a Comgest tem explorado com o decorrer dos anos. O Comgest Growth Japan destacou-se pela sua consistência, tanto em risco assumido como em capacidade para ultrapassar/bater o índice e a média da sua categoria. A cada dez anos gerou uma rentabilidade – na sua moeda base, o yen - de 13,63% face aos 8,78% do índice; a cinco anos, de 15,26% a 8,76% do índice; e a três anos, de 13,63% frente a 8,47% do índice.

O fundo segue a mesma filosofia que carateriza a casa: fundos concentrados com uma clara tendência para o crescimento e para a qualidade. Procuram empresas líderes, com altas margens e produtos nicho, e visibilidade no crescimento de lucros. Todas estas qualidades são avaliadas entre as principais posições do fundo. No fim de abril, a maior sobreponderação estava no Fast Retailing (Uniqlo), Daifuku, Pan Pacific International, SoftBank Group e Keyence Corporation.

Por setores, o industrial representa quase 25% da carteira. Uma peso habitual na história do fundo, assegura Ward, já que é onde encontram mais empresas que reúnem todas as suas exigências. Segue-se o consumo discricionário e as tecnologias da informação.

Esta aposta no crescimento é, segundo a especialista, a chave que explica que nos períodos de baixa capturem uma menor percentagem da correção. Até mesmo em 2018 a queda foi de 9,85%, face aos 16,26% do índice.

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