Argumentos a favor da dívida de curto prazo de mercados emergentes


O ano de 2017 deverá ser marcado pela consolidação de uma contração da liquidez no mercado o que, para Karen Lam, senior client portfolio manager na Pictet AM, “é razão para se estar cauteloso”. Perante o risco de uma subida dos prémios de risco em virtude dessa contração da liquidez no mercado, a profissional destaca que as obrigações corporativas de curto prazo, mais especificamente as obrigações de países emergentes em moeda forte podem desempenhar um papel diversificador ao mesmo tempo que proporcionam um perfil de risco e retorno interessante para qualquer carteira de investimento.

Porquê os mercados emergentes?

Para Karen Lam o mercado de obrigações corporativas emergentes em moeda forte “não é um mercado de nicho como muita gente acredita”. É um mercado de 1,8 biliões de dólares que se apresenta com outra característica interessante, pois “cerca de 75% dos investidores na classe de ativos são institucionais, como fundos de pensões, seguradoras e fundos soberanos. Estes investidores têm tipicamente uma perspectiva buy-and-hold o que, por um lado, é positivo, já que reduz a volatilidade relativamente a outros segmentos de mercados emergentes, mas por outro faz com que haja menos ativos disponíveis para investimento”, explica.

Adicionalmente, a profissional da Pictet AM acrescenta que vê as empresas de países emergentes em muito melhor forma de uma perspetiva fundamental do que há alguns anos: “Muitas das empresas melhoraram os seus balanços, reduzindo a alavancagem e aumentando os níveis de liquidez, bem como através de outras atividades ‘bond friendly’”. A especialista aponta também a alavancagem como um argumento de peso a favor do investimento. “Embora a alavancagem em países da América Latina tenha superado a dos EUA, observamos que nos países emergentes da região EMEA – que inclui a Rússia, Turquia e África do Sul – e nos asiáticos, a alavancagem continua bastante estável”. Adicionalmente, isso é evidente no peso da liquidez na dívida total, patente no gráfico em baixo (à direita).

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A robustez do balanço reflete-se, obviamente, nas taxas de incumprimento, o que está patente, como mostra Karen Lam, numa taxa de default prevista em 2017 em linha com a dos EUA e em significativo recuo face a 2016. E não é só nos defaults que as estatísticas favorecem a classe de ativos, já que “enquanto historicamente, nos EUA, a taxa de recuperação em caso de default ronda os 33%/35%, nas emissões em hard currency de mercados emergentes asiáticos, por exemplo, chegam aos 55%”, explica a profissional. 

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“Em geral, acreditamos que os fundamentais continuam fortes, em resultado de vendas de ativos que aumentaram a liquidez em balanço e permitiram a redução da dívida de curto prazo. Estamos mesmo a observar recompras de ações, em alguns casos”, resume a especialista.

Novas emissões

Finalmente, Karen Lam foca nas novas emissões para destacar as estatísticas que mostram um montante global bruto de emissões elevado ao longo dos últimos anos, estimando-se um total de 320 mil milhões de dólares em 2017. No entanto, estes dados não refletem o que é realmente importante na análise. “O que realmente interessa são as emissões líquidas, que em 2015 foram praticamente nulas, e este ano deverão totalizar apenas 71 mil milhões de dólares”, salienta Lam.

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No final da apresentação a especialista da Pictet AM terminou por posicionar o fundo como um complemento interessante numa carteira diversificada e com um binómio de risco e retorno atractivo, principalmente no actual cenário.  

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