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APFIPP: “Todas as entidades estão relacionadas numa rede, mas ninguém é dono da rede”


Depois de no verão passado a APFIPP ter dado conta sobre o interesse do estudo da criação de um sistema de comercialização baseado na Blockchain, ontem a Associação deu mais um passo nesse sentido. A Associação apresentou ao mercado um protótipo de uma plataforma inovadora na distribuição de fundos de investimento, que tem por base a já conhecida tecnologia Blockchain, e que visa “tornar mais eficiente a distribuição de fundos em Portugal e reduzir a necessidade de intervenção de entidades intermediárias”. De salientar é que o projeto contou com o acompanhamento da CMVM, a parceria do Instituto Superior Técnico (IST) e o suporte técnico da Deloitte

Esta é uma plataforma que, segundo o comunicado da entidade, foi desenhada para  explorar “o potencial do blockchain no atual contexto regulamentar, tornando-a passível de implementação mediante ajustamentos já identificados e credível para início de operacionalização no mercado nacional”.

José Veiga Sarmento afiançou durante a apresentação que “a prova de conceito realizada permitiu validar a aplicabilidade da tecnologia blockchain, verificar a sua flexibilidade e ganhos de eficiência na operacionalização dos procedimentos de subscrição, resgate, anulação e reporte ao regulador através desta plataforma”. Frisando o passo inovador na indústria, o presidente da associação fez ainda questão de frisar que o que foi apresentado “é algo que está na linha da frente a nível internacional, e Portugal está entre os dois ou três primeiros do mundo a apresentar”.

Explicando a fase seguinte, o líder da APFIPP referiu que nos próximos meses vão “apresentar esta solução aos diversos stakeholders envolvidos na área de distribuição de fundos a nível nacional e avaliar a implementação, próxima, de um teste piloto com um conjunto de entidades”.

Nesse sentido, realçou que esta é uma “tecnologia partilhada pelas sociedades gestoras que têm produtos para oferecer, pelas entidades comercializadoras - que são aquelas que têm a relação com o cliente – e pelos bancos depositários, bem como pelas autoridades regulatórias”. Simplificando referiu: “Todas estas entidades estão relacionadas numa rede, mas ninguém é dono da rede”. Assim sendo, esta rede “permite que todas as operações feitas no seu âmbito, de acordo com as regras estabelecidas nos protocolos, sejam do conhecimento das entidades de forma a que o cliente seja servido da melhor forma possível”.

Reporte ao regulador

Mais eficiente e menos oneroso será também o próprio “processo de recolha de informação para reporte ao regulador”, “facilitando a regulação e respondendo à exigência de um maior rigor e transparência no reporte das operações realizadas, para assegurar um controlo efetivo do mercado”.

O que a tecnologia blockchain, e esta plataforma em particular, vem permitir é a realização de transações automáticas, sem a intervenção de terceiros, mantendo um registo imutável de todas as transações, que é partilhado por todos os participantes da rede, incluindo reguladores, de uma forma segura e em tempo praticamente real, eliminando assim as redundâncias e libertando recursos”, afirmou José Veiga Sarmento.

 

 

 

 

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