André David Nunes (Norfin): “Os  fundos abertos podem ser uma oportunidade diferenciadora para os investidores particulares e uma pool de capital interessante que ainda não cobrimos”


Em 2019 a Norfin AM terminou o ano com 12 fundos de investimento a seu cargo, o correspondente a uma quota de mercado de 9,6%. Esta marca coloca a gestora no terceiro lugar do ranking de entidades imobiliárias nacionais, segundo os dados da CMVM. Em entrevista à Funds People, André David Nunes, CIO da Norfin, explica que “a estratégia de crescimento da Norfin tem passado por alargar o seu leque de investidores (sobretudo internacionais), assegurando que todos têm perfis de risco e de sectores preferenciais complementares”.

Um alargamento que permite à entidade ter hoje acesso “a pools de capital” que lhes possibilitam, dizem, “olhar para todos os sectores imobiliários em Portugal,  desde promoção pura a escritórios core”. Embora não estejam ainda presentes no segmento de fundos de imobiliário abertos, esta é uma área onde pretendem explorar oportunidades. “Tendo em vista o atual enquadramento macro, com a evolução previsível do sector, achamos que os fundos abertos podem ser, por um lado, uma oportunidade diferenciadora para os investidores particulares e, por outro, uma pool de capital interessante que ainda não cobrimos”, dizem.

Sobre a evolução do mercado de imobiliário, o profissional acredita que este deverá continuar “a sua evolução recente – embora de uma forma mais moderada”. André David Nunes é da opinião de que “com a manutenção das baixas taxas de juro por tempo indeterminado, e com a compressão dos yields um pouco por todo o mundo, Portugal, e Lisboa mais especificamente, assumiram-se como uma boa oportunidade para obter retornos ajustados ao risco razoáveis”.

Internamente, e “excetuando riscos macro de cariz económico ou geopolítico”, o profissional da Norfin acredita que “mudanças legislativas desfavoráveis também poderão mitigar este momento do mercado em 2020”. “Os últimos anos têm apresentado volumes de investimento e valorização dos ativos ímpares, mas há uma enorme instabilidade legislativa e fiscal que altera com frequência as regras do jogo a meio de um plano de negócios. É o tipo de risco que não podemos prever, e é o tipo de acontecimento que assusta alguns investidores internacionais e que mitiga o crescimento do mercado”, diz mesmo.

Questionado sobre se a Norfin será uma das entidades a entrar na incursão das SIGI, o CIO da entidade coloca alguma cautela na sua visão. “Com base na evolução recente, acreditamos que possa haver outras entidades que seguirão este caminho embora nos pareça que nem todas as condições estão reunidas para que esta alternativa se torne uma escolha óbvia para entidades como a Norfin”, atesta. Atentos à evolução do mercado, o profissional não descarta, contudo, que o futuro possa passar pela constituição de um veículo deste género. “A Norfin está sempre atenta à evolução do mercado e não descartamos a possibilidade de constituição e gestão de uma SIGI, no futuro, caso achemos que pode trazer valor para os nossos investidores e acionista”, conclui.

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